Maio 25, 2026 · ⏱️ 7 min read
A BYD lidera as vendas de carros elétricos no Brasil com 32% de participação de mercado. GWM e Chery também ampliam presença. Mas a pergunta que muitos fazem: carro elétrico chinês é confiável? Separamos as dúvidas mais comentes sobre BYD, GWM, Caoa Cheri e a qualidade dos veículos elétricos chineses no Brasil.
BYD é uma marca confiável?
Sim — e os números mostram isso. A BYD fechou 2025 como líder absoluta do mercado de elétricos no Brasil, com 57.600 unidades vendidas. A marca utiliza as baterias Blade LFP (Lítio-Ferro-Fosfato), consideradas uma das mais seguras do mundo. O modelo BYD Dolphin (vendido no Brasil) e o BYD Atto 3 receberam 5 estrelas no Euro NCAP, o principal teste de colisão europeu.
A garantia de bateria é de 8 anos ou 160.000 km, o que cobre a grande maioria dos compradores durante todo o período de uso. Como disse o jornalista automotivo Gustavo Lucio, da Quatro Rodas: "BYD mudou completamente o jogo no Brasil. Em 18 meses, eles foram de zero para líder de mercado. O segredo? Preços agressivos, garantia de bateria de 8 anos e uma rede de concessionárias em expansão rápida."
Leia nossa avaliação completa do BYD Dolphin 2026.
E a GWM (Ora 03, Haval) é confiável?
A Great Wall Motors (GWM) também tem presença consolidada no Brasil. O GWM Ora 03 recebeu 5 estrelas no Euro NCAP, com proteção de adultos avaliada em 91% e proteção infantil em 83%. A marca oferece garantia de 7 anos para o veículo e 8 anos para a bateria, uma das mais longas do mercado nacional.
A GWM está construindo sua rede de concessionárias no Brasil e já conta com centros de distribuição de peças em São Paulo e Minas Gerais. A desvantagem atual é a cobertura ainda limitada em regiões Norte e Nordeste — mas a marca está expandindo.
Caoa Chery é confiável?
A Caoa Chery tem a vantagem de estar no Brasil há mais tempo — produzindo em Anápolis (GO) desde 2022 com 65% de conteúdo local. Isso significa mais disponibilidade de peças e serviços em comparação com marcas puramente importadas.
Os veículos da Caoa Chery, como o Arrizo 5e e o eQ1, passam por testes de durabilidade específicos para o mercado brasileiro, incluindo condições de piso, temperatura e combustível. A garantia de fábrica é de 6 anos ou 160.000 km.
A bateria chinesa dura quanto tempo?
As baterias Blade LFP da BYD são projetadas para durar mais de 1 milhão de quilômetros antes de cair para 80% da capacidade original. Na prática, proprietários relatam degradação mínima após 2 anos de uso intenso (caso de Maria, 34 anos, que roda 1.400 km/mês em São Paulo e não percebeu perda significativa).
Baterias de marcas como GWM e Chery utilizam química similar (LFP), com vida útil estimada em 8 a 10 anos de uso normal. Todas oferecem garantia de 8 anos para a bateria, o que cobre os primeiros anos de eventual degradação.
Vale a pena comprar um chinês usado?
O mercado de usados ainda é imaturo, mas os primeiros sinais são positivos. Carlos, empresário em Porto Alegre, comprou um BYD Dolphin seminovo com 18 meses de uso e pagou cerca de 15% abaixo do valor de tabela. "A bateria estava como nova, e a economia de combustível continua valendo", relata.
O ponto de atenção é verificar o histórico de recargas da bateria — carregamentos frequentes em DC rápido podem acelerar a degradação. Recomendamos usar um checklist antes de comprar (veja nosso guia de avaliação de EV usado).
O seguro de carro elétrico chinês é mais caro?
Sim, o seguro de carros elétricos chineses tende a ser um pouco mais caro que o de carros a combustão equivalentes — mas a diferença vem caindo. Uma apólice completa para um BYD Dolphin Mini custa entre R$ 3.000 e R$ 4.500 por ano, dependendo do perfil do motorista e da região. Para comparação, um Honda Civic 0 km da mesma faixa de preço fica em torno de R$ 2.500 a R$ 3.500.
O valor mais alto reflete o custo de reparação de peças específicas (bateria, inversor) e a cobertura limitada de oficinas credenciadas. Mas com a expansão da rede BYD e GWM, os prêmios estão se aproximando da média do mercado. Confira nosso guia completo de seguro para EV.
Carros elétricos chineses andam bem em estrada de terra?
Depende do modelo. Os hatches compactos como BYD Dolphin Mini, GWM Ora 03 e Caoa Chery eQ1 são voltados para uso urbano — a altura do solo é similar à de um hatch a combustão (cerca de 14 a 16 cm). Em estradas de terra bem conservadas, não há problema. Já em trechos com buracos ou pedras, o risco de danificar a bateria (que fica no assoalho) existe.
Para quem mora em área rural ou enfrenta estradas não pavimentadas com frequência, os SUVs elétricos como BYD Song Plus (505 km de autonomia) são mais adequados, com altura do solo de 18 cm e suspensão reforçada. Modelos chineses como o GWM Haval H6 PHEV também oferecem uma boa opção nesse sentido.
Peças e revisão são caras?
A manutenção de um carro elétrico chinês é mais barata que um carro a combustão — não tem óleo, correia dentada, velas ou filtros tradicionais. A BYD, por exemplo, oferece as primeiras revisões com preço fixo em torno de R$ 300 a R$ 500 cada (a cada 20.000 km).
O desafio atual é o tempo de espera por peças em caso de colisão. Como a rede está em expansão, algumas peças específicas podem levar de 15 a 30 dias para chegar. Marcas com produção local (Caoa Chery) têm vantagem nesse aspecto.
Veja mais detalhes no nosso comparativo de custos de manutenção e no TCO: custo total de 5 anos.