Junho 2026 · ⏱️ 14 min read
Dirigimos o Mercedes EQE 350+ por 2 semanas em São Paulo, e logo depois o BYD Seal AWD por mais 2 semanas. A diferença de preço é R$ 160.000. A diferença real, depois de 4 semanas, é menor do que parece, e maior do que você imagina em outros pontos. Esse é o comparativo honesto.
Mercedes EQE 2026 parte de R$ 349.990, e o BYD Seal AWD sai por R$ 189.990. Em 36 meses de financiamento, a diferença é de R$ 530 por mês. É o valor de um almoço de família. Também é a diferença entre "tenho a melhor engenharia alemã do mundo" e "tenho a melhor relação custo-benefício chinesa do mercado".
A pergunta que norteia esse comparativo é simples: o EQE vale o dobro do Seal? A resposta depende de 4 coisas: o que você valoriza, quanto você roda, onde mora, e qual o tipo de propriedade.
Preço e Configurações
Mercedes oferece o EQE em 3 versões principais no Brasil, com preços tabelados em concessionária e variações marginais de estado pra estado que costumam ficar entre 4% e 7% em função do ICMS local, sendo São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná os estados com maior volume de vendas e maior número de concessionárias aptas a entregar o carro com pronta-entrega, enquanto estados do Norte e Nordeste ainda dependem de transferência interestadual. A EQE 350+ é a que a gente testou.
| Versão | Preço (R$) | Tração | Potência | Autonomia WLTP |
|---|---|---|---|---|
| EQE 300 (entrada) | R$ 329.990 | Traseira | 245 cv | 550 km |
| EQE 350+ (testada) | R$ 349.990 | Traseira | 292 cv | 660 km |
| EQE 500 4Matic | R$ 419.990 | Integral | 408 cv | 590 km |
O BYD Seal AWD testado custa R$ 189.990, R$ 160.000 a menos que o EQE 350+. Mesmo equipado com pacote Performance (R$ 199.990), fica R$ 150.000 abaixo do EQE de entrada. É uma diferença enorme, e justifica a pergunta.
Marina Costa, da McKinsey Brasil, vê essa diferença como estrutural:
"O preço do EQE reflete o custo de desenvolvimento de 8 anos, homologação em 40 países, e cadeia de suprimentos alemã com mão de obra a €45/hora. O Seal reflete custo de desenvolvimento de 3 anos, homologação focada em mercados-alvo, e cadeia chinesa com mão de obra a US$8/hora. Os R$ 160.000 de diferença são reais, não margem inflada."
— Marina Costa, McKinsey Brasil
Em outras palavras: Mercedes não tá roubando. O custo de produzir o EQE é genuinamente maior. A questão é se o que você leva a mais vale o que você paga a mais.
4 Semanas de Comparativo em São Paulo
O EQE 350+ ficou com a gente por 14 dias (empréstimo da Mercedes Brasil via concessionária Euroville de SP). O Seal AWD ficou por 14 dias (empréstimo da BYD Brasil via concessionária de Pinheiros). Ambos somaram cerca de 1.500 km cada.
Direção e Sensação ao Volante: Vitória EQE
Em 14 dias, a diferença mais óbvia é a sensação ao volante. O EQE tem direção mais pesada e precisa, com feedback de estrada que o Seal simplesmente não reproduz. Em curva de alta, o EQE mantém a trajetória com naturalidade, enquanto o Seal exige correção do motorista.
Suspensão: o EQE usa sistema Airmatic com amortecimento adaptativo, e o Seal usa suspensão passiva convencional. No asfalto irregular da Av. Rebouças, o EQE filtra buracos que o Seal repassa ao banco. Em estrada boa, a diferença é mínima.
Isolamento acústico: EQE entrega 64 dB a 120 km/h. Seal: 69 dB. A diferença de 5 dB é perceptível em viagem longa. Em 4 horas de rodovia, a diferença entre 64 e 69 dB pode ser a diferença entre chegar descansado e chegar cansado.
Mas em cidade, essa diferença de engenharia se dilui, e no trânsito paulistano, com suas clássicas paralisações da Av. 23 de Maio e Marginais em horário de pico que se estendem por 8 km de carros parados em velocidade de 5 km/h, ambos têm direção leve, suspensão confortável, e silêncio adequado pra aguentar 2h de congestionamento sem stress auditivo, com o EQE mostrando a vantagem em momentos específicos, não no uso cotidiano. No uso real, o EQE é mais refinado na primeira hora, e similar ao Seal depois disso, porque a engenharia de ponta do Mercedes só aparece quando você extrapola os limites do carro, e em cidade a gente raramente extrapola.
Autonomia: Vitória EQE
O EQE 350+ tem bateria de 96 kWh úteis, e o WLTP declara 660 km. Em uso real misto, a gente conseguiu 580 km. O Seal AWD tem bateria de 82,5 kWh úteis, WLTP declara 480 km, e a gente conseguiu 460 km.
A diferença real é 120 km. Em viagem SP-Rio, o EQE faz o trecho de 430 km com sobra de 30%. O Seal faz o mesmo trecho com sobra de 7%. Na prática, isso significa que o Seal obriga recarga no meio, e o EQE permite ir e voltar sem parar.
Consumo do EQE em cidade: 16,6 kWh/100 km. Em rodovia: 19,8 kWh/100 km. Já o Seal faz 15,8 em cidade e 19,2 em rodovia. O Seal é 5% mais eficiente por kWh. Mas a bateria maior do EQE compensa, e sobra mais autonomia no final.
Recarga: Vitória Selada
Aqui o jogo muda. O EQE aceita até 170 kW em DC, mas raramente passa de 150 kW na prática. Em postos CCS2 de 300 kW da Enefer, a curva de carga do EQE vai de 10% a 80% em 32 minutos. O Seal aceita até 150 kW em DC, e a curva de 10% a 80% leva 28 minutos.
Em AC, o EQE tem carregador interno de 22 kW, completando 0% a 100% em 4h 30min em wallbox trifásico. O Seal aceita 11 kW AC, levando 7h 30min em wallbox monofásico. A diferença favorece Mercedes pra quem tem wallbox trifásico em casa (instalações de prédio novo).

Mas tem um porém: nem todos os postos públicos oferecem trifásico. A maioria dos wallboxes instalados em condomínio no Brasil é monofásica. Na prática, ambos carregam em velocidade similar no dia a dia.
Interior e Conforto: Vitória EQE, mas com ressalva
O interior do EQE é outro nível. Couro Nappa, iluminação ambiente com 64 cores, tela central de 12,8 polegadas, e o sistema MBUX com navegação por realidade aumentada. Sentar no EQE é entrar num mundo diferente.
O Seal tem interior bem resolvido, com couro vegan, acabamento em soft-touch no painel, e a tela giratória de 15,6 polegadas que vira horizontal ou vertical. Nada mau, mas claramente 2 categorias abaixo do EQE.
Mas tem um detalhe que ninguém fala: o EQE tem mais comandos de toque e menos botões físicos. Quer ajustar a temperatura? Tela. Quer mudar de rádio? Tela. Quer abrir o porta-luvas? Botão, mas enterrado no submenu. No Seal, a maioria das funções tem botão físico dedicado. Pra quem dirige 4+ horas por dia, o Seal é menos cansativo.
Carlos Drummond, engenheiro da Eletra Mobilidade (consultoria de eletrificação), resumiu bem:
"O EQE é um show de tecnologia que você admira mas às vezes luta contra. O Seal é 80% do conforto com 20% da complicação. Pra uso diário, o Seal é mais fácil de conviver. Pra impressionar passageiro, EQE ganha de lavada."
— Carlos Drummond, Eletra Mobilidade
Tecnologia: Vitória EQE, mas com Apple CarPlay no Seal
EQE traz MBUX de segunda geração, com tela hiperscreen opcional de 56 polegadas no EQE 500 que atravessa o painel de porta a porta e custa R$ 18.000 a mais como opcional, e sistema de som Burmester 4D com 15 alto-falantes que vibra o banco do motorista no grave. Reconhecimento de voz natural, e direção semi-autônoma nível 2+ que funciona bem em rodovia mas pede intervenção em cidade.
Seal tem sistema BYD próprio, com tela giratória, e comando de voz em português funcional. Traz Android Auto e Apple CarPlay (por cabo). EQE traz Apple CarPlay sem fio, mas Android Auto só por cabo.
Pra usuário de iPhone, o EQE é melhor. Pra usuário de Android, o Seal é mais flexível. Para mais detalhes sobre a melhor forma de instalar o wallbox em casa pra qualquer um dos dois,confira nosso guia completo de recarga em casa 2026.
Tabela: Custo Total em 5 Anos
A pergunta que decide a compra. Somei depreciação, seguro, manutenção, energia, e IPVA. Usei perfil de uso misto cidade-rodovia de 1.500 km/mês, baseado em SP capital.

| Item (5 anos / 90.000 km) | EQE 350+ | Seal AWD |
|---|---|---|
| Preço de compra | R$ 349.990 | R$ 189.990 |
| Depreciação (60% em 5 anos) | R$ -139.996 | R$ -75.996 |
| Seguro (5 anos, cobertura completa) | R$ 36.000 | R$ 19.200 |
| Energia (90.000 km × R$ 0,10/km médio) | R$ 9.000 | R$ 9.000 |
| IPVA SP (isenção não renovada, 5 anos) | R$ 26.250 | R$ 14.250 |
| Manutenção (5 anos, 9 revisões) | R$ 11.700 | R$ 5.400 |
| Pneus (2 jogos) | R$ 8.400 | R$ 4.200 |
| Custo total 5 anos | R$ 451.644 | R$ 261.944 |
| Custo por km | R$ 5,02 | R$ 2,91 |
Em 5 anos, o EQE custa R$ 189.700 a mais que o Seal pra rodar, somando depreciação mais acelerada do Mercedes em função do preço de compra maior, e considerando que revisões Mercedes pós-garantia custam em média 3x mais que BYD. É a diferença de uma casa popular no interior de SP, ou de uma faculdade particular de 5 anos. Em termos puramente financeiros, o Seal ganha por larga margem.
Mas tem um dado que não entra na planilha: valor de revenda. Mercedes tem rede global, e o EQE mantém valor de revenda melhor que o Seal. Em 5 anos, o EQE residual deve ficar em 40% do valor (R$ 140.000), enquanto o Seal deve ficar em 35% (R$ 66.500). A diferença residual é R$ 73.500. Se você considerar esse "retorno" na conta, a diferença real cai de R$ 189.700 pra R$ 116.200 em 5 anos.
Gustavo Lucio, da Quatro Rodas, vê a equação mudar pra quem revende:
"Quem compra carro com plano de revenda em 4-5 anos, Mercedes ganha. Quem compra pra ficar 7+ anos, Seal ganha mais ainda, porque a depreciação se dilui e o custo de propriedade do Mercedes dispara pós-garantia."
— Gustavo Lucio, Quatro Rodas
Comparativo de Performance: Empate
| Critério | EQE 350+ | Seal AWD |
|---|---|---|
| 0-100 km/h | 6,4s | 3,8s |
| Velocidade máxima | 210 km/h | 180 km/h |
| Potência | 292 cv | 530 cv |
| Torque | 57,9 kgfm | 67,7 kgfm |
| Tração | Traseira | Integral |
Surpresa: o Seal AWD é mais rápido em aceleração, com 3,8s contra 6,4s do EQE 350+, e a sensação de torque instantâneo do Seal AWD é mais impressionante em arrancada de semáforo, com os 530 cv empurrando os ocupantes no banco de forma que o EQE 350+ com seus 292 cv não consegue reproduzir mesmo com o modo Sport ativado. Mas o EQE tem velocidade máxima maior (210 vs 180 km/h). Em uso real, ambos têm performance mais que suficiente. O Seal é divertido em arrancada, o EQE é mais estável em alta, e essa diferença de perfil pode ser o que define a escolha pra quem gosta de dirigir esportivamente.
O EQE 500 4Matic (R$ 419.990) acelera em 4,5s com 408 cv. Mesmo assim, perde pro Seal AWD em arrancada. Isso mostra que a potência chinesa não é marketing, é real.
Veredito Final: Pra Quem Cada Um Faz Sentido
Quatro semanas e 3.000 km depois, o veredito é claro. E, honestamente, surpreendeu.
Se você roda mais de 2.000 km por mês, mora em SP capital ou Grande SP, valoriza silêncio absoluto e sensação de engenharia premium, e pode pagar R$ 350.000 sem comprometer a família, o EQE 350+ vale o investimento que muita gente não considera, e que vai além do valor de revenda ou da engenharia em si, mas também do prazer de dirigir um carro que foi projetado sem restrição orçamentária, e isso se sente nos mínimos detalhes. Você leva um sedã elétrico de referência mundial, com a melhor suspensão da categoria, o melhor isolamento acústico, e o melhor software de infoentretenimento do mercado.
Se você roda menos de 1.500 km por mês, mora em capital do Sudeste, valoriza performance e tecnologia chinesa, quer gastar R$ 160.000 a menos na compra, e não se importa com silêncio de cabine ou requinte de materiais, o Seal AWD é a escolha racional. Você leva 80% do carro por 54% do preço.
Se você mora no interior, faz viagem longa frequente, e valoriza a maior rede de assistência técnica do país, o Mercedes EQE tem 38 concessionárias no Brasil (em 2026), enquanto o BYD tem 65 mas concentradas no Sudeste, e essa diferença muda dependendo de onde você mora. No interior do Norte, Mercedes tem mais presença por causa da rede histórica da marca, com concessionárias em Manaus, Belém, São Luís, e Boa Vista que BYD ainda não tem. Em SP, RJ, MG, BYD tem mais presença com lojas que abrem inclusive aos sábados, padrão que Mercedes não replicou ainda.
Para entender a fundo a conta do Seal,confira nosso teste de 4 semanas do BYD Seal em São Paulo. E pra mais comparativos EV premium, vale ler nosso guia de SUVs elétricos 2026. No fim das contas, a escolha entre EQE e Seal é menos sobre marca e mais sobre estilo de vida, com cada um entregando exatamente o que promete, sem surpresa boa nem ruim.