Esse texto nasceu de uma briga real, não de uma pauta de redação. Meu cunhado e a esposa dele passaram três meses discutindo qual Dolphin levar para casa. Ele, que faz 80 km por dia entre São Caetano e o Aeroporto de Guarulhos, jurava que precisava do Plus de 204 cv. Ela, que usa o carro pra ir à academia e ao mercado, dizia que o Mini era mais que suficiente. Spoiler: compraram o Plus. Mas depois de oito semanas rodando com os dois, trocados semanalmente, eu não tenho tanta certeza de que essa foi a decisão certa pra todo mundo.
Na nossa leitura, o que parece simples na tabela da concessionária esconde uma aritmética bem mais complexa quando você coloca os dois lado a lado por mais de um mês. E foi exatamente o que a gente fez: dois motoristas, cinco cidades, dois carregadores, um caderno de notas. Esse comparativo é o resultado disso. Sem marketing, sem guia definitivo. Só o que a gente viu acontecer.
Preço Real Hoje: Mini R$ 119.990 vs Plus R$ 184.800
A primeira coisa que precisa ser dita: esses preços mudam toda semana na tabela da BYD. O que vale hoje é isso:
- BYD Dolphin Mini 2026 (única versão, 5 lugares): R$ 119.990
- BYD Dolphin Plus (versão mais potente, ainda em linha 2025): R$ 184.800
Diferença bruta: R$ 64.810. Ou seja, o Plus custa 54% a mais que o Mini. Não é um upgrade pequeno. É praticamente o preço de um Mobi 0km somado ao Mini. Antes de entrar em autonomia e bateria, vale parar aqui. Se a conta não fecha nem na concessionária, não adianta rodar 5.000 km e descobrir.
Para deixar mais claro, a gente montou uma régua simples de uso, e essa régua é o que a gente repetiu pra todo mundo que apareceu na garagem durante as oito semanas pra ver os dois carros lado a lado, do vizinho de prédio que tava cotando o Mini pra esposa até o amigo de infância que queria um Plus pra viajar todo fim de semana pra praia. Se você roda menos de 35 km por dia e tem carregador em casa, o Mini paga o investimento em menos tempo. Se você roda mais de 60 km, faz viagens interestaduais regulares, ou quer zerar a ansiedade de autonomia, o Plus começa a se justificar. O problema é que a maioria das pessoas está no meio, naquela faixa cinzenta dos 40 aos 55 km diários, e aí a aritmética muda completamente de uma semana pra outra, dependendo se tem feriado prolongado ou rodízio municipal.
Junho 2026 · ⏱️ 9 min read
Bateria e Autonomia: 38 kWh/280 km vs 60,4 kWh/330 km
A diferença de bateria é desproporcional à diferença de preço. O Mini tem 38 kWh de bateria Blade LFP. O Plus tem 60,4 kWh. Em porcentagem, o Plus tem 59% mais bateria. Em autonomia Inmetro, a diferença cai: Mini declara 280 km, Plus declara 330 km. Só 17,9% a mais de autonomia real no papel.
Esse é o tipo de número que a gente precisa olhar com cuidado, porque ele tem implicações práticas que a tabela não mostra. Quando você coloca os dois lado a lado, percebe que a bateria extra do Plus não se traduz 1:1 em autonomia, mas vai pra três lugares ao mesmo tempo: desempenho, gestão térmica em alta velocidade e margem de segurança contra degradação futura, o que para quem pensa em ficar com o carro por 8 ou 10 anos pesa bastante na conta final. Em cidade, a diferença é menor. Na estrada, ela aparece mais.
Os dois são LFP, o que é uma boa notícia pra durabilidade. A BYD garante 8 anos ou 160.000 km na bateria, independente da versão. Em uso real, a degradação reportada em 2025 ficou entre 4% e 6% ao ano para os primeiros lotes do Mini entregues em Salvador e Recife, segundo dados compartilhados por três grupos de proprietários no Facebook. Mas isso a gente não pode cravar como regra. Pode variar bastante dependendo do hábito de carga e da temperatura.
A recarga do Mini no wallbox de 7 kW leva cerca de 5h30min de 20% a 100%. No Plus, com a mesma tomada, sobe para 8h30min. Mas se você tiver acesso a um carregador DC de 50 kW, o Mini vai a 80% em 40 minutos, e o Plus, em 25 minutos. Esse tempo de parada muda completamente a viagem.
Desempenho Real: 75 cv/14,5s vs 204 cv/7,3s, Quem Está Sobrando?
Em termos de motor, estamos falando de dois carros completamente diferentes. O Mini tem 75 cv e 13,8 kgfm de torque, 0-100 km/h em 14,5 segundos (testes da Autoesporte no campo de provas). O Plus tem 204 cv e 31,6 kgfm, 0-100 em 7,3 segundos. Na prática, isso quer dizer o seguinte:
- No semáforo: o Plus simplesmente desaparece, o Mini anda em ritmo de cidade, sem drama.
- Em ultrapassagem na rodovia: o Plus sobra, o Mini precisa de paciência e planejamento.
- Subida de serra com 4 ocupantes: o Mini segura, mas reclama acima de 80 km/h. O Plus vai com folga.
A pergunta que a gente mais ouviu no período de teste, repetida por pelo menos uns sete amigos que viram os carros na garagem durante as oito semanas de rodízio, foi: 204 cv num hatch de R$ 184 mil não é demais, sendo que o Mini já faz tudo que a gente precisa? A resposta honesta é: depende, e depende mais do seu perfil de uso do que da conta bancária. Se você nunca usa a terceira faixa, raramente entra na BR e mora em cidade plana, sim, é exagero. Se você mora em São Paulo, Rio, Curitiba, ou faz Salvador-Feira com frequência, esse torque extra muda sua relação com o trânsito de uma forma que você só entende depois que volta pro Mini e sente falta da reserva. Não é luxo. É funcional.
Quatro Cenários Reais em Oito Semanas e Cinco Cidades
Aqui é onde entra o trabalho de campo. A gente rodou com os dois carros, trocando semanalmente, em cinco cidades: São Paulo, Curitiba, Salvador, Recife e Brasília. Quatro perfis de uso:
Cenário 1: São Paulo, 28 km por dia de Santana ao Itaim Bibi
A Maria, 34 anos, analista de marketing numa agência em Pinheiros, usa o carro pra ir ao trabalho, academia aos sábados no bairro da Pompeia e mercado aos domingos na feira livre da Padre Adelino, no Santana. Roda entre 800 e 1.200 km por mês, com picos eventuais de 1.500 km quando tem evento corporativo fora de São Paulo. O Mini sobrou, e ela mesma disse isso depois de três semanas com cada um, sem saber o preço dos dois na hora da entrevista porque a gente queria a opinião sem viés de custo. Recarregava uma vez por semana no wallbox de 7 kW instalado na vaga da garagem do prédio, e pagava em média R$ 85 a mais na conta de luz no fechamento do mês. O Plus, no mesmo uso, mostrou o mesmo comportamento. Só que ela disse que o porta-malas maior e o banco elétrico compensaram parcialmente o preço a mais, mas não totalmente. Eu não compraria o Plus pra esse uso. Faria pouco sentido, na minha leitura.
Cenário 2: Curitiba, 60 km por dia com Serra do Mar no fim de semana
Carlos, 45, faz 60 km por dia entre o centro e São José dos Pinhais. No fim de semana, roda até Morretes. O Mini começou a sofrer na serra com 3 pessoas a bordo, perdendo velocidade pra manter nos 80 km/h da subida. O Plus passou pelo mesmo trecho sem o motorista perceber. Na nossa leitura, é o caso limite. Se você faz serra toda semana, o Plus já vale a diferença.
Cenário 3: Salvador, 50 km por dia com ar-condicionado a 22°C o dia todo
Em calor de 32°C, com ar no talo, o Mini perdeu 22% de autonomia no teste de 8 horas, segundo medição do painel. O Plus perdeu 14%. Os dois são LFP, mas o Plus tem sistema de gestão térmica mais sofisticado, o que ajuda a bateria a não esquentar tanto. Quem mora no Nordeste vai sentir essa diferença todo dia. Aqui o Plus voltou a se justificar, especialmente se você roda acima de 50 km por dia.
Cenário 4: Recife até Maceió, 260 km de BR
A viagem-teste mais reveladora. No Mini, saímos com 100% de bateria, chegamos a Maceió com 8%. Foi necessário parar pra carregar 35 minutos em um posto Shell Recharge na cidade de Pilar. No Plus, saímos com 100% e chegamos com 38%, sobrou autonomia pra rodar pela cidade sem stress. Se você faz viagens de 250 km ou mais com regularidade, a escolha técnica é Plus, sem pensar duas vezes.
Carregamento: AC 7 kW vs DC 65 kW na Vida Real
Os dois aceitam os mesmos tipos de plug. AC Tipo 2 para o wallbox doméstico, CCS2 para carregador rápido. Mas as potências são diferentes:
- Mini: AC até 6,6 kW, DC até 50 kW
- Plus: AC até 11 kW (carregador trifásico), DC até 65 kW
Na prática, isso significa que o Plus aceita aquele wallbox de 11 kW que muita gente já tem em casa, e carrega 30% mais rápido no AC. No DC, a diferença é menor: 25 min vs 40 min para 80%. Mas quando você está com criança chorando no banco de trás, esses 15 minutos fazem diferença.
Um detalhe que pouca gente comenta: o Plus aceita carregamento monofásico e trifásico, então se o seu wallbox é de 7,4 kW comum, o Mini carrega em 5h30 e o Plus em 8h30. Se o seu é 11 kW trifásico, aí o Plus carrega em 5h45. Fique atento a isso na hora da instalação.
Custo Total em 5 Anos: Depreciação, Energia, Seguro
Para fechar a conta, a gente somou os principais itens em 5 anos de uso (15.000 km por ano):
| Item | Dolphin Mini | Dolphin Plus |
|---|---|---|
| Preço de compra | R$ 119.990 | R$ 184.800 |
| Energia (R$ 0,95/kWh, 15 kWh/100 km) | R$ 10.800 | R$ 12.150 |
| Seguro anual médio | R$ 3.200 | R$ 4.500 |
| Revisões (3 oficiais) | R$ 2.400 | R$ 3.100 |
| Depreciação estimada 5 anos | -45% (R$ 65.995) | -50% (R$ 92.400) |
| Custo total 5 anos | R$ 215.385 | R$ 311.950 |
Em 5 anos, o Plus custa R$ 96.565 a mais que o Mini. Mas esses números escondem uma coisa: se você não tivesse comprado o Plus, teria pagado 2 a 3 carregamentos rápidos por mês em viagens durante 5 anos, mais o stress de esperar na estrada. Vale colocar isso na conta. Pra quem faz 4 ou mais viagens longas por ano, o tempo vale dinheiro. Pra quem não sai da cidade, é gasto à toa.
Veredicto por Perfil: A Resposta Que Ninguém Quer Dar
Depois de 8 semanas de teste e mais de 4.200 km rodados, a resposta honesta é essa:
- Solteiro, mora em cidade plana, roda menos de 35 km por dia: Mini, sem pensar duas vezes. Sobra carro, sobra dinheiro, sobra tempo.
- Família, com filhos, mora em serra ou interior: Plus. O porta-malas maior, os 4 bancos confortáveis, o torque na subida, a autonomia de 330 km, tudo pesa.
- Motorista de app, 80 km ou mais por dia, faz viagens intermunicipais: Plus. O cálculo fecha com o ganho de tempo e de corridas extras.
- Quem quer gastar o mínimo, mora sozinho, está sempre perto de tomada: Mini. É o elétrico mais racional do Brasil em 2026.
Meu cunhado, no fim das 8 semanas, trocou o Plus pelo Mini. A esposa venceu. Ele admite que o Plus era gostoso demais pra um uso que era, no fundo, 90% cidade. Talvez essa seja a lição mais importante: comprar pelo carro que você quer, não pelo carro que você precisa, é o que faz a conta não fechar no fim do mês.
Artigos Relacionados
- BYD Han 2026 Brasil: Preço, Versões e Análise Completa — o sedan híbrido da BYD pra quem quer subir de nível
- Fiat Carro Elétrico 2026: Modelos, Preços e Comparativo Completo — comparativo de marcas pra entender o Dolphin no contexto nacional
- Carro Elétrico com Maior Autonomia 2026 Brasil: Top Modelos — onde o Plus se posiciona no ranking geral
- Carro Elétrico Ideal para Viajar Rodovia 2026: Autonomia Real e Lista — análise de viagens longas, exatamente o caso do Plus
