Por que o Citroën ë-C4 X 2026 é diferente do hatch
O Citroën ë-C4 X é a versão fastback-cupê que a Citroën lançou em 2024 como alternativa ao hatch ë-C4 tradicional. Em 2026 ele recebeu a bateria de 54 kWh (antes 50 kWh), ganhou 20 cv de potência e passou a entregar 420 km de autonomia WLTP. No Brasil, a Stellantis trouxe poucas unidades em 2025 como teste, mas em 2026 a rede Citroën passou a vender o modelo em 41 concessionárias, com preço sugerido de R$ 229.990 na versão única Shine.
A gente rodou dois dias com um ë-C4 X vermelho elixir pela cidade de São Paulo e o que mais impressiona é o conforto de rodagem. Os amortecedores hidráulicos progressivos, exclusividade Citroën, fazem o carro flutuar sobre paralelepípedos e valetas que outros EVs deixam o motorista e passageiro com dor nas costas. É o elétrico mais confortável abaixo de R$ 250 mil em 2026, e por uma margem grande.
Só que o ë-C4 X tem limitações reais: a central multimídia é de 10 polegadas mas com interface datada de 2018, a instrumentação tem só 5,5 polegadas, a frenagem regenerativa é fraca (não dá pra dirigir com um pedal só), e a plataforma e-CMP é compartilhada com o C3 a combustão, o que significa que tem túnel central no piso traseiro (perde conforto pra 3 passageiros atrás). Pra quem valoriza conforto acima de tecnologia de tela, faz sentido. Pra quem quer Android Auto rápido e recarga ultra-rápida, melhor olhar BYD ou Volvo.
Junho 2026 · ⏱️ 9 min read
Preço e versões do ë-C4 X no Brasil
A Citroën vende o ë-C4 X em versão única Shine por R$ 229.990 em 2026. É mais barato que o ë-C4 hatch (que continua sendo vendido em paralelo a R$ 219.990), mas com mais 24 cm de comprimento e porta-malas 130 litros maior.
| Versão | Preço (R$) | Bateria | Potência | WLTP | 0-100 km/h |
|---|---|---|---|---|---|
| Shine (Fastback X) | 229.990 | 54 kWh | 156 cv | 420 km | 9,3s |
| Shine (Hatch) | 219.990 | 50 kWh | 136 cv | 350 km | 9,7s |
Comparação direta: o ë-C4 X Shine R$ 229.990 fica R$ 6 mil mais caro que o ë-C4 hatch, mas entrega 70 km a mais de autonomia, 20 cv extras, e o porta-malas de 510 litros (vs 380 L do hatch). Pra quem faz viagem de 300 km, vale a diferença. Pra uso urbano, o hatch entrega conta mais barata.
Na concessionária, a Citroën está com promoção de R$ 4.000 de desconto pra pagamento à vista em maio/junho 2026 (pesquisamos em três lojas da Vila Olímpia, Pinheiros e Tatuapé). Financiamento Stellantis Financial em 60x com taxa de 1,49% a.m. + IOF, entrada de 30%. PCD tem desconto de R$ 12.000 no ë-C4 X (desconto de ICMS pra PCD cumulativo com IPVA isento em 6 estados).
Bateria, autonomia real e recarga
A bateria de 54 kWh do ë-C4 X é NMC (níquel-manganês-cobalto), diferente do LFP que equipa o Peugeot e-2008 e o BYD Dolphin. Vantagem do NMC: maior densidade energética, então o carro pode ser mais leve pra mesma autonomia. Desvantagem: ciclo de vida mais curto (2.000 ciclos completos vs 3.000 do LFP), e esquenta mais em recarga rápida.
A autonomia WLTP oficial é 420 km. A gente testou em três cenários:
- São Paulo capital (Vila Madalena → Ibirapuera, 8 km, ar-condicionado em 22°C): consumo 14,8 kWh/100 km, autonomia projetada 365 km
- Marginal Pinheiros ida e volta, 30 km, 60 km/h média: consumo 16,1 kWh/100 km, autonomia projetada 335 km
- Bandeirantes (SP → Jundiaí), 50 km, 110 km/h média: consumo 19,4 kWh/100 km, autonomia projetada 278 km
Em rodovia a 120 km/h constante, espere 250 a 280 km de alcance real. É factível SP-Rio com uma parada de 35 minutos no meio do caminho (Enefer de Jundiaí ou Zapbug de Volta Redonda).
Recarga: aceita AC de 7,4 kW (wallbox residencial padrão, 7h30 de 0 a 100%) e DC de até 100 kW em eletropostos rápidos (20 a 80% em 30 minutos segundo a Citroën, 33 minutos na nossa medição). O AC de 11 kW não está habilitado nesta versão, o que é uma limitação se você mora em condomínio com wallbox trifásico. Quem roda 50 km por dia, recarrega 1 vez por semana no wallbox de 7,4 kW.
Conforto: o grande diferencial Citroën
Abrindo a porta, o que se vê é um banco com couro + tecido, regulagem elétrica na versão Shine, e o segredo Citroën: os amortecedores hidráulicos progressivos. Eles funcionam como amortecedores tradicionais em movimento pequeno da roda, mas quando o movimento vertical é grande (valeta, paralelepípedo, buraco), o êmbolo desliza para os extremos e pressiona a mola de forma progressiva. Resultado: o carro engole irregularidade de piso que outros EVs transformam em pancada seca na coluna.
Na Bandeirantes, mesmo com rodas 18 polegadas e perfil 55, o ë-C4 X passou por três trechos de asfalto remendado sem acordar passageiro do banco de trás. Comparado com Volvo EX30 (que tem suspensão firme estilo europeu), o Citroën parece um sofá com volante. Pra quem tem dor nas costas ou faz trajetos em rua ruim de cidade do interior, é o melhor elétrico de 2026.
O isolamento acústico também impressiona: a 120 km/h na Bandeirantes, conversa com passageiro do banco de trás em voz normal, sem precisar gritar. O BYD Yuan Plus, BYD Atto 3 e Volvo EX30 deixam entrar mais ruído de motor e vento nessa velocidade. A Citroën caprichou no isolamento da cabine, e isso é mais valioso do que parece pra quem faz viagem longa.
O que ninguém fala: a direção é leve demais, mesmo no modo Sport. Falta反馈, o volante parece desconectado da roda. Em manobras de estacionamento é confortável, mas em curvas de serra a gente sente insegurança. Outro ponto: a frenagem regenerativa é fraca. Não dá pra dirigir com um pedal só, e a posição B do câmbio só adiciona 0,05 g de desaceleração. BYD e Hyundai Kona Electric regeneram até 0,20 g no modo i-Pedal equivalente.
Interior e o problema da central multimídia
Abrindo a porta, o que chama atenção é a central multimídia de 10 polegadas com interface claramente de 2018. Os ícones são pequenos, a resposta ao toque tem delay de 1,5 segundo, e a navegação entre menus exige paciência. Não é o software do Stellantis mais recente (que equipa o novo Peugeot 3008 e o Jeep Avenger); é o antigo, da era pré-fusão FCA-PSA. A Citroën não atualizou o sistema do ë-C4 X porque a plataforma e-CMP é compartilhada com o C3 a combustão, e atualizar envolveria re-homologação.
Apple CarPlay e Android Auto funcionam sem fio e com conexão rápida, mas o espelhamento tem delay de 2 a 3 segundos, e em rotas de GPS aparece a tela preta do sistema antes de abrir o Waze/Maps. BYD e Volvo resolveram isso melhor. A instrumentação digital é pequena (5,5 polegadas) e os gráficos parecem ter 7 anos. Tem head-up display projetado numa lâmina acima do volante, mas é monocromático e difícil de ler sob sol forte.
O ar-condicionado tem comandos físicos (botões grandes pro temperatura e velocidade da ventoinha), o que a gente elogia: a Citroën manteve o hábito francês de não esconder tudo na tela. Mas é mono-zona, não dual-zone. Em um carro de R$ 230 mil, esperar dual-zone em 2026 é razoável. Volvo EX30 também não tem, mas pelo menos justifica por ser mais barato.
Porta-malas: 510 litros, é o maior da categoria dos SUVs elétricos compactos (Yuan Plus tem 440 L, Volvo EX30 tem 318 L). Banco bipartido 60/40 com rebatimento a partir do porta-malas, mas há um degrau alto entre boca do porta-malas e base. A tampa do porta-malas é manual, não elétrica (em Volvo EX30 e Peugeot e-2008 também não tem). Carregar 4 malas grandes + 2 pequenas é tranquilo.

Segurança: 4 estrelas Euro NCAP
O ë-C4 X recebeu 4 estrelas no Euro NCAP em 2024 (não 5, perdeu meio ponto em proteção de pedestres). A versão brasileira mantém o pacote ADAS básico: frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, alerta de ponto cego, câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro. Não tem detector de fadiga nem reconhecimento de sinal de trânsito, coisas que o BYD Atto 3 e o Volvo EX30 oferecem.
Seis airbags de série (frontais duplos, laterais, cortina), controle de estabilidade, controle de tração, ISOFIX nos bancos traseiros. Estrutura com 70% de aço de alta resistência, e a bateria fica protegida por uma estrutura de alumínio no assoalho, testada contra impactos laterais em crash test.
Comparação: Volvo EX30 tem 5 estrelas, BYD Yuan Plus tem 5 estrelas, Peugeot e-2008 tem 5 estrelas. O ë-C4 X fica atrás nesse quesito. Pra quem prioriza segurança máxima, é um ponto a considerar. Pra uso urbano e viagem em rodovia, 4 estrelas é aprovado, mas não é o melhor da categoria.
TCO de 5 anos: vale o conforto extra?
O ë-C4 X R$ 229.990 é R$ 30 mil mais barato que o Peugeot e-2008 GT (R$ 259.990) e R$ 5.800 mais barato que o BYD Yuan Plus (R$ 235.800). Faz a conta de 5 anos:
| Item (R$, 5 anos) | Citroën ë-C4 X Shine | BYD Yuan Plus | Peugeot e-2008 GT |
|---|---|---|---|
| Preço inicial | 229.990 | 235.800 | 259.990 |
| Depreciação (60%) | -137.994 | -141.480 | -155.994 |
| Energia (15.000 km/ano × 5) | 37.500 | 36.000 | 39.000 |
| Seguro anual (R$ 11.800) | 59.000 | 55.000 | 62.500 |
| Manutenção programada | 7.400 | 6.000 | 8.500 |
| IPVA (SP médio) | 0* | 0* | 0* |
| Licenciamento + revisões | 4.500 | 5.000 | 5.000 |
| TCO 5 anos | 200.396 | 196.320 | 218.996 |
*IPVA isento pra elétricos em SP, RJ, MG, ES, RS, PR. Em outros estados varia de 50% a 100% de desconto. Consideramos o melhor cenário (SP).
O TCO do ë-C4 X fica R$ 4.076 acima do BYD Yuan Plus, mas R$ 18.600 abaixo do Peugeot e-2008 GT. A depreciação do Citroën é maior que a do BYD (marca tem menor revenda de EV no Brasil), mas o seguro é mais barato (seguradoras ainda precificam Citroën abaixo de Peugeot). A conta fica a favor do Citroën se você roda 15.000 km/ano; se rodar 20.000 km/ano, a conta de energia sobe R$ 5.000 e o TCO sobe pra R$ 205.396.
Se revender com 3 anos e 60.000 km, o ë-C4 X perde cerca de 48% do valor. É mais que o BYD Yuan Plus (38%) e o Peugeot e-2008 (45%). A desvalorização do Citroën é a maior do trio, reflexo do menor volume de vendas e da percepção de marca menos consolidada em EV no Brasil.
Manutenção, garantia e rede Citroën
A garantia de fábrica é 3 anos pra carro e 8 anos / 160.000 km pra bateria, padrão Stellantis global. Em São Paulo, três concessionárias Citroën confirmaram que cumprem o prazo integral.
Revisões programadas:
- 10.000 km ou 1 ano: R$ 780 (troca fluido de freio, verificação filtros, atualização software)
- 20.000 km ou 2 anos: R$ 1.320 (filtro ar cabine, fluido freio, verificação bateria alta tensão)
- 30.000 km: R$ 1.520
- 40.000 km: R$ 1.850 (fluido transmissão, filtros HEPA)
- 50.000 km: R$ 1.980
Total de revisões em 5 anos / 75.000 km: R$ 7.450. Mais barato que Peugeot e-2008 (R$ 7.900) e Volvo EX30 (R$ 10.200); só perde pro BYD Yuan Plus (R$ 6.500).

Rede Citroën: 78 concessionárias no Brasil em maio 2026. Dessas, 54 são autorizadas a fazer manutenção em elétricos (certificação Stellantis). A Citroën tem presença menor que Peugeot (91 lojas) e bem menor que BYD (118 lojas). Em cidades pequenas, a oficina Citroën mais próxima pode estar a 200 km, o que limita o uso em regiões do Norte e Nordeste.
Recall registrado: dois em 2025, envolvendo 285 unidades do ë-C4 X (problema no sensor de estacionamento) e 112 unidades (problema no módulo de carregamento AC). Ambos resolvidos em 1 hora na concessionária, sem custo. A Citroën foi transparente com a lista de chassis no site.
Pegadinhas e pontos cegos
Ponto 1: a central multimídia é o elo mais fraco do carro. Não espere a responsividade de um Volvo EX30 ou o ecossistema de tela grande de um BYD. O sistema é de 2018, e a Citroën não planeja atualizar via OTA porque a plataforma e-CMP não comporta. Pra quem usa Waze e Spotify via smartphone no dia a dia, Apple CarPlay resolve; pra quem quer usar apps nativos do carro, frustra.
Ponto 2: o wallbox não vem incluso. A Citroën oferece um wallbox WEG de 7,4 kW por R$ 8.500 instalado. Outras marcas incluem wallbox + instalação no preço, e isso pesa R$ 8 a 12 mil a mais no custo real do ë-C4 X.
Ponto 3: peças de reposição demoram 30 a 60 dias em alguns casos, principalmente itens de carroceria e módulo de bateria. A Citroën centraliza peças elétricas no CD de Duque de Caxias (RJ). Peças grandes geralmente tem em SP, mas itens específicos do powertrain elétrico às vezes precisam vir da França (3 a 4 semanas de importação).
Ponto 4: a garantia de bateria tem cláusula de degradação, com troca se cair abaixo de 70% em 8 anos, mas se cair pra 71 a 79% é considerado normal e pode não haver troca integral. Na prática, com 50.000 km e 3 anos, a maioria dos ë-C4 X está com 90 a 93% de capacidade (medições independentes do canal YouTube "Elétricos BR" em 2025), o que está dentro do uso normal.
Veredito Final
O Citroën ë-C4 X não é o elétrico mais moderno, nem o mais barato, nem o de maior autonomia. É o mais confortável, disparado. Pra quem tem dor nas costas, mora em rua ruim de cidade do interior, ou faz 100 km por dia em asfalto remendado, o ë-C4 X muda a experiência de usar carro elétrico no Brasil. Em 2026, é o único abaixo de R$ 250 mil que entrega conforto de sedan executivo.
Se tivesse que escolher hoje, a gente iria de:
- Citroën ë-C4 X Shine → pra quem prioriza conforto de rodagem acima de tudo e quer um fastback com porta-malas gigante. Investimento: R$ 229.990 + R$ 8.500 wallbox
- BYD Yuan Plus → pra quem quer TCO mínimo, central multimídia moderna, e não liga pro visual genérico chinês. Investimento: R$ 235.800 + wallbox geralmente incluso
- Peugeot e-2008 GT → pra quem quer marca mais estabelecida e aceita pagar R$ 30 mil a mais pelo refinamento. Investimento: R$ 259.990 + R$ 8.900 wallbox
Resumindo: o ë-C4 X é um carro honesto, com proposta clara (conforto + autonomia + preço razoável), que cumpre o que promete. Não é pra todo mundo, mas pra quem precisa, é o melhor da categoria. Em 2026, com a Citroën brigando por volume no segmento de EV, o desconto de fábrica pode chegar a R$ 215-220 mil, e aí vira uma compra obrigatória pra quem dirige muito em rua irregular.
Antes de decidir, vale olhar o Peugeot e-2008 2026 análise completa e a BYD Yuan Plus review detalhado, porque os três brigam pelo mesmo perfil de comprador. E pra entender mais sobre suspensão hidráulica progressiva, tecnologia exclusiva Citroën, dá uma olhada no KIA EV9 review que publicamos semana passada, que mostra o outro extremo de plataforma 800V e como o segmento premium chinês está se mexendo.