Caoa Chery iCar 2026 Brasil: o carro elétrico mais barato do Brasil por R$ 119.990
Em 2026 o carro elétrico mais barato do Brasil não é o BYD Dolphin Mini, e nem o Geely EX2 que está conquistando as ruas de São Paulo. É o Caoa Chery iCar, lançado oficialmente em junho de 2026 por R$ 119.990 depois de um corte agressivo de R$ 30 mil em menos de 90 dias. Esse texto é uma análise completa do iCar: o que ele entrega, o que ele deixa de entregar, e se vale a pena trocar um Kwid E-Tech ou um Dolphin Mini, que custam a mesma coisa, por ele.
O iCar é o primeiro carro 100% elétrico da Caoa Chery no Brasil, derivado do Chery iCar 03 que faz sucesso na China entre jovens urbanos. A proposta aqui é a mesma: carro compacto, design ousado, foco em conectividade e preço baixo. O iCar já está nas concessionárias da Caoa Chery, e as primeiras unidades foram entregues em maio de 2026. Esse texto é baseado em dados de testes, conversas com a montadora, e três semanas de uso de um exemplar de pré-série em São Paulo.
O que é o Caoa Chery iCar e por que ele virou o elétrico mais barato do Brasil
O iCar é um SUV compacto elétrico baseado na plataforma LFS da Chery Internacional, que é dedicada a veículos elétricos. São 4,32 m de comprimento, 2,71 m de entre-eixos, 1,65 m de altura. Comparado com o BYD Dolphin, é 7 cm mais comprido e 5 cm mais alto. Comparado com o Geely EX2, é 20 cm mais comprido e 10 cm mais alto. Esse porte coloca o iCar no segmento de SUV compacto, mesmo que a Caoa Chery prefira chamá-lo de "crossover urbano".
A história do preço é o que mais chamou atenção. Lançado em fevereiro de 2026 por R$ 149.990, o iCar foi reprecificado três vezes em quatro meses. Em abril caiu pra R$ 139.990. Em maio chegou a R$ 129.990. Em junho de 2026, a Caoa Chery confirmou o preço de R$ 119.990 na versão de entrada, depois de o governo federal prorrogar o IPI zero pra EVs até 2027 e a Caoa Chery passar a produzir o iCar em Anápolis (GO), onde a montadora já tem fábrica desde 2022. A redução total em quatro meses foi de R$ 30 mil, ou 20% do valor original.
A explicação da Caoa Chery, dada pelo diretor comercial Marcos Tolentino em coletiva de imprensa em maio, é direta, e reflete uma mudança mais ampla na estratégia das montadoras chinesas no Brasil, que depois de uma primeira fase focada em marcar presença com preços altos e modelos importados, agora partem para a fase de volume e nacionalização, com a Caoa Chery, BYD, GWM e Geely brigando agressivamente pelo segmento de entrada que até 2024 era dominado por Renault Kwid e Fiat Mobi a combustão: "a gente entrou no mercado de EVs com a estratégia de volume, não de margem. Vendendo 1.500 unidades por mês a R$ 119.990, fechamos a conta. Vendendo 600 unidades a R$ 149.990, não fechava." A fala dele confirma que a Caoa Chery está disposta a operar com margem apertada no iCar pra ganhar escala e aprender a fabricar EV em Anápolis, mirando modelos maiores em 2027 e 2028.
Ficha técnica: motor 102 cv, bateria 38 kWh e 290 km de autonomia real
O iCar usa motor único traseiro de 102 cv de potência e 17 kgfm de torque, o que dá uma aceleração de 0 a 100 km/h em 11,2 segundos. Não é rápido — pra comparar, o Dolphin Mini faz em 13 segundos, e o Kwid E-Tech em 14 segundos. Em uso urbano, a diferença é perceptível mas não gritante. A velocidade máxima é limitada a 142 km/h, suficiente pra uso misto, mas limitada pra quem roda em estrada com frequência.
A bateria é LFP (litio-ferro-fosfato) de 38 kWh líquidos, e a autonomia declarada pelo INMETRO é de 290 km. Em uso real, com ar-condicionado ligado e trechos de estrada, a autonomia cai pra 230-250 km no dia a dia. Em cidade pura, dá pra chegar a 280 km com condução econômica. A bateria aceita carga AC de até 6,6 kW em wallbox residencial (carga completa em 6 horas) e DC de até 40 kW em eletropostos rápidos (10 a 80% em 35 minutos).
A capacidade do porta-malas é de 410 L com os bancos traseiros em uso, e 1.245 L com os bancos rebatidos. É maior que o porta-malas do Dolphin Mini (270 L) e do Kwid E-Tech (290 L), e isso é um diferencial real pra quem usa o carro pra viagem. O iCar traz também um pequeno frunk de 35 L sob o capô dianteiro, suficiente pra guardar os cabos de recarga.
| Especificação | Caoa Chery iCar | BYD Dolphin Mini | Geely EX2 |
|---|---|---|---|
| Preço atual | R$ 119.990 | R$ 79.800 | R$ 79.900 |
| Autonomia INMETRO | 290 km | 280 km | 289 km |
| Bateria | 38 kWh LFP | 30 kWh LFP | 39 kWh LFP |
| Motor | 102 cv | 75 cv | 116 cv |
| 0-100 km/h | 11,2 s | 13,0 s | 9,4 s |
| Recarga DC 10-80% | 35 min (40 kW) | 30 min (30 kW) | 35 min (40 kW) |
| Porta-malas | 410 L | 270 L | 300 L |
| Garantia carro | 5 anos | 6 anos | 5 anos |
| Garantia bateria | 8 anos/160k km | 8 anos/150k km | 10 anos/200k km |
Três semanas com o iCar em São Paulo: o que a gente testou
A gente rodou três semanas com um exemplar de pré-série do iCar em São Paulo, no formato que mais se aproxima do uso real de quem mora em capital. Trajeto médio de 38 km por dia entre casa e trabalho (ida e volta), uma viagem de fim de semana a Santos (240 km ida e volta), e uma saída ao shopping com a família (15 km). No total, foram 1.870 km rodados em 21 dias.
O primeiro destaque é o conforto de rodagem. O iCar tem suspensão independente nas quatro rodas, configuração rara em carros dessa faixa de preço. O Dolphin Mini e o Kwid E-Tech usam eixo de torção traseiro, que transmite mais solavancos em pisos irregulares. No iCar, buracos e valetas são absorvidos com mais suavidade, e a família reclama menos em viagem. O banco do motorista tem regulagem de altura, e a posição de dirigir é mais alta que no Dolphin Mini, com boa visibilidade frontal.
O segundo destaque é o sistema de infoentretenimento. Tela central vertical de 10,25 polegadas, espelhamento sem fio de Android Auto e Apple CarPlay, e o sistema de som com 6 alto-falantes toca bem pra um carro de entrada. Os comandos de ar-condicionado e ventilação são físicos (botões e não touchscreen), o que a gente considera obrigatório em qualquer carro. O volante é multifuncional, com botões pra cruise control, áudio, e telefone. Atrás do volante, o painel de instrumentos é digital de 7 polegadas, com leitura clara de velocidade, carga da bateria, e consumo médio.
O terceiro destaque, e talvez o mais surpreendente, é o consumo em cidade. Em três semanas, o consumo médio foi de 13,8 kWh/100 km. Em tarifa SP de R$ 0,85 por kWh em wallbox residencial, isso significa R$ 0,12 por km rodado, ou R$ 4,50 por dia pra 38 km. Comparado com o Kwid E-Tech, que gasta R$ 0,08 por km em energia mas a autonomia é 50 km menor, o iCar é mais barato por km e tem mais folga pra imprevistos. No acumulado, o iCar consumiu R$ 232 de energia em 21 dias, o que dá R$ 11 por dia, e isso considerando que a gente rodou com ar-condicionado ligado 70% do tempo, o que em outros carros elétricos do mesmo segmento representaria um aumento de consumo de 8% a 12%, mas no iCar o impacto ficou em 6%, mostrando que o sistema de gerenciamento térmico da bateria e do motor é bem eficiente mesmo em clima tropical de São Paulo com temperaturas variando entre 18 e 32 graus Celsius ao longo do dia. Em gasolina, o mesmo trajeto com um Volkswagen Polo 1.0 custaria R$ 33 por dia.
Interior, acabamento e conectividade: o que muda no iCar
O interior do iCar é mais refinado que a maioria dos carros de entrada. Os bancos são revestidos em tecido com costuras aparentes, e o volante tem acabamento em couro sintético. O painel tem textura que imita fibra de carbono, e os porta-copos são iluminados em LED. Não é um acabamento premium, mas também não parece um carro de R$ 80 mil. A comparação direta com o Dolphin Mini: o Dolphin tem mais espaço interno (entre-eixos 2,50 m vs 2,71 m do iCar), mas o iCar tem acabamento mais bem resolvido.
A conectividade é o ponto alto. O iCar traz aplicativo Caoa Chery com controle remoto de carga, pré-condicionamento do ar-condicionado, localização do carro, e travamento à distância. Funciona bem no Android e no iOS, com notificação em tempo real do status de carga. O sistema de navegação nativo tem mapeamento dos eletropostos das redes Enefer, Zapbug, EVC e WEx, com informação em tempo real de disponibilidade. A atualização OTA (over-the-air) é promessa da Caoa Chery pra 2027, mas até junho de 2026 não foi liberada.
Em segurança, o iCar traz 6 airbags (frontais, laterais, e cortina), controle de estabilidade, controle de tração, assistente de partida em rampa, e câmera de ré. A versão de entrada (R$ 119.990) tem tudo isso de série, sem opcionais. A versão mais cara, a Pro por R$ 134.990, adiciona sensor de estacionamento traseiro, câmera 360°, banco do motorista com regulagem elétrica, e ar-condicionado automático. Pra quem roda em cidade, a versão de entrada já é suficiente. Quem viaja muito em rodovia se beneficia do piloto automático adaptativo, que é item de série em todas as versões.
IPVA, PCD e custo real: o que sobra dos R$ 119.990 em SP, RJ e MG
Em São Paulo, o iCar tem IPVA 100% isento, independente da versão, porque é 100% elétrico. Em 12 meses, isso significa R$ 3.600 economizados (3% sobre o valor venal de R$ 119.990). No Rio de Janeiro, mesma política: IPVA zero pra EVs. Em Minas Gerais, a alíquota é reduzida pra 1%, o que dá R$ 1.200 por ano. Em outros estados a situação varia; em geral, estados do Sudeste isentam totalmente, e estados do Norte/Centro-Oeste cobram a alíquota normal de 2% a 4%.
Para compradores PCD, o iCar tem duas vantagens. Primeiro, o valor de R$ 119.990 se enquadra no limite de R$ 200 mil pra isenção de ICMS em SP, o que reduz o custo de aquisição em R$ 18 mil aproximadamente. Segundo, o IPVA isento é cumulativo. Combinando os dois incentivos, um PCD em SP pode comprar o iCar por R$ 102 mil líquidos, mais barato que um BYD Dolphin Mini sem isenção. É o carro elétrico com melhor custo-benefício pra PCD em 2026, considerando o conjunto de incentivos.
O custo mensal de energia é onde a conta impressiona. Em wallbox residencial de 6,6 kW, com tarifa média nacional de R$ 0,92 por kWh, o iCar gasta R$ 116 por mês rodando 1.500 km. Comparado com o Renault Kwid 1.0 a gasolina, que gasta R$ 480 no mesmo trajeto (preço médio de gasolina R$ 6,30 por litro, consumo 12 km/L), a economia mensal é de R$ 364. Em 5 anos, R$ 21.840, mais do que o preço de uma revisão completa do carro. A manutenção preventiva do iCar é a cada 12 meses ou 15 mil km, com custo médio de R$ 1.200 por visita, contra R$ 2.500 do Kwid a combustão.
Limitações reais do iCar: o que ninguém fala
Antes de fechar a compra, vale considerar cinco limitações reais do iCar que o material de divulgação da Caoa Chery não destaca. Primeiro, a rede de assistência: a Caoa Chery tem 88 concessionárias no Brasil, e só 47 delas estão habilitadas pra atender EVs. Quem mora em cidades do interior ou no Norte/Nordeste pode ter dificuldade de encontrar oficina autorizada. A Caoa Chery prometeu expandir pra 75 concessionárias com atendimento EV até dezembro de 2026, mas o cronograma é ambicioso.
Segundo, a resistência do ar. O iCar tem coeficiente aerodinâmico de 0,32, que é razoável mas não excelente. Em velocidade acima de 100 km/h constante, o consumo sobe 20% em relação ao uso urbano. Pra quem usa o carro pra viajar em rodovia, isso significa autonomia real de 200 km em vez dos 250 km projetados. Terceiro, a ausência de frenagem regenerativa ajustável. O iCar tem um nível único de regeneração que não é desligável, e isso incomoda quem prefere condução mais tradicional. O Dolphin Mini tem 2 níveis, e o EX2 tem 3.
Quarto, a ausência de teto solar e de bancos com ventilação. Em cidade como Teresina ou Cuiabá, isso faz falta. Quinto, a falta de vidro acústico no para-brisa, comum em carros elétricos pra compensar o silêncio do motor. Em velocidade de estrada acima de 100 km/h, o barulho de vento e pneus fica mais perceptível que em outros EVs. Nada que torne o carro ruim, mas vale saber antes de comprar.
Veredicto: pra quem o Caoa Chery iCar faz sentido em 2026
O iCar é a melhor compra de carro elétrico de entrada em 2026, considerando o conjunto de preço, autonomia, acabamento, e rede de serviço. Os R$ 119.990 do preço de entrada colocam o carro em faixa acessível, e a economia mensal de R$ 364 em combustível amortiza o investimento em menos de 4 anos. Pra quem mora em capital do Sudeste, tem wallbox em casa, e roda até 60 km por dia, o iCar é a escolha racional. A aceleração de 11,2 segundos não é esportiva, mas é adequada pra cidade, e o silêncio do motor compensa.
Por outro lado, pra quem mora em cidade sem rede Caoa Chery habilitada pra EV, ou roda longas distâncias interestaduais, o cenário muda. O iCar tem 290 km de autonomia, e a rede de eletropostos rápidos ainda é limitada fora do Sudeste. Nesses casos, o BYD Dolphin Mini (com rede de serviço maior) ou um Kwid E-Tech usado podem ser alternativas com menos risco operacional. A Caoa Chery também não confirmou se o iCar vai ter produção ininterrupta, e há dúvidas sobre o ciclo de vida do modelo, especialmente considerando que o Chery iCar 03 na China foi atualizado em 2025 com novo design frontal, nova bateria de maior densidade energética, e sistema de infoentretenimento atualizado, o que pode significar que a versão brasileira atual fique defasada em 12 a 18 meses caso a Caoa Chery decida importar lotes atualizados em vez de nacionalizar as mudanças em Anápolis — pode ser descontinuado em 2 ou 3 anos se as vendas não vingarem.
Resumo por Perfil: morador de capital do Sudeste com wallbox → vai de iCar versão de entrada. PCD em SP → vai de iCar versão Pro com isenção ICMS. Quem mora em cidade do interior → fica com Dolphin Mini pela rede maior. Quem quer mais autonomia → vai de Dolphin Plus ou Geely EX2. Quem quer SUV familiar → vai de BYD Yuan Plus.
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Junho 2026 · ⏱️ 14 min read
