Smart #3 2026: o SUV coupé elétrico que quer brigar com Volvo e BMW
A Smart confirmou nesta semana a chegada do SUV coupé elétrico #3 ao Brasil até agosto de 2026, com pré-venda abrindo em 4 concessionárias da marca (todas em São Paulo inicialmente). O modelo é o irmão maior do #1 e chega com 3 versões, preços de R$ 279.990 a R$ 369.990, e a proposta clara de concorrer com Volvo EX40, BMW iX1 e Mercedes EQA no segmento premium médio.
A gente viu o #3 de perto em Milão durante o Salão do Automóvel em abril, e a leitura é clara: a Smart finalmente tem um carro que justifica o pedigree Mercedes-Benz + Geely. O design fastback é esportivo, o acabamento interno é premium, e a plataforma SEA da Geely entrega dirigibilidade acima da média. Esse artigo é o raio-x completo do modelo no Brasil: especificações, versões, preços, comparativo com concorrentes, e o veredito sobre se vale pagar R$ 280 mil num Smart #3 em vez de R$ 280 mil num Volvo EX40 ou BMW iX1.
Na nossa leitura, o #3 é o carro mais interessante da Smart no mercado brasileiro desde que a marca voltou em 2024. Não é perfeito, e o principal impeditivo continua sendo a rede de concessionárias pequena (4 lojas contra 142 da BMW no Brasil). Mas se você mora em São Paulo e quer um SUV coupé elétrico diferente do padrão premium alemão, vale o test-drive.
Smart #3: ficha técnica completa das 3 versões
O Smart #3 usa a plataforma SEA (Sustainable Experience Architecture) da Geely, mesma base do Volvo EX30 e do Zeekr X. É um SUV coupé de 4,44 m de comprimento, com 2,78 m de entre-eixos, posicionando-se entre o Volvo EX30 (4,23 m) e o BMW iX1 (4,50 m). As 3 versões têm motor traseiro único de 272 cv (200 kW) na versão Pro+ e Premium, e tração integral com 428 cv na versão BRABUS.
| Versão | Preço (R$) | Tração | Potência | Bateria | Autonomia WLTP | 0-100 km/h |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Pro+ | 279.990 | Traseira | 272 cv | 66 kWh | 455 km | 5,8 s |
| Premium | 309.990 | Traseira | 272 cv | 66 kWh | 455 km | 5,8 s |
| BRABUS | 369.990 | Integral | 428 cv | 66 kWh | 415 km | 3,7 s |
A bateria de 66 kWh é de química NMC, fornecida pela CATL (a mesma que equipa Volvo EX30 e Zeekr X). Suporta carga rápida DC de até 150 kW, indo de 10% a 80% em 27 minutos. Em wallbox de 7,4 kW, a carga completa leva 9 horas. O carregador embarcado é de 22 kW AC, permitindo carga trifásica em estacionamentos comerciais.
O porta-malas tem 370 litros, 31% menor que o Smart #1 (que tem 411 L), reflexo da linha de teto fastback que limita espaço vertical. Comparado com Volvo EX30 (318 L) e BMW iX1 (490 L), o Smart #3 fica no meio termo.
O que vem em cada versão: pacote de equipamentos
A Smart foi generosa no pacote de série, mas separou itens importantes pra diferenciar as versões. A entrada Pro+ já vem bem equipada, mas é na Premium que aparecem os diferenciais esperados de um carro de R$ 310 mil. A BRABUS, além da potência extra, traz acabamento esportivo exclusivo.
Pro+ (R$ 279.990): motor traseiro 272 cv, banco do motorista elétrico, ar-condicionado automático de duas zonas, central multimídia de 12,8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, sistema de som com 5 alto-falantes, faróis de LED, rodas de 19 polegadas, 6 airbags, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa, câmera de ré com sensores traseiros, e carregador de celular por indução.
Premium (R$ 309.990): tudo da Pro+ mais head-up display de realidade aumentada (projeta navegação e velocidade no para-brisa), banco do motorista com memória, banco do passageiro elétrico, ventilação nos bancos dianteiros, sistema de som Beats com 13 alto-falantes e subwoofer, câmera 360°, sensores dianteiros, faróis com acendimento automático high-beam assist, teto solar panorâmico fixo, rodas de 20 polegadas, e suspensão a ar adaptativa (que muda altura em 4 níveis).
BRABUS (R$ 369.990): tudo da Premium mais motor duplo com 428 cv e tração integral, modo de condução BRABUS com launch control, freios Brembo de 4 pistões na frente, escapamento simulado (que em EV emite som esportivo pelos alto-falantes externos), acabamento interno em alcântara, pedais esportivos em alumínio, bancos tipo bucket com costura vermelha, logotipos BRABUS por todo o carro, e pinças de freio vermelhas. A bateria continua 66 kWh, então a autonomia cai pra 415 km por causa do motor extra e das rodas maiores de 20 polegadas.
Smart #3 vs Volvo EX40 e BMW iX1: comparativo direto
Os 3 concorrentes mais diretos do Smart #3 no Brasil são Volvo EX40 (R$ 309.990), BMW iX1 (R$ 369.990) e Mercedes EQA (R$ 329.990). A gente compara os 4 lado a lado pra ver quem entrega melhor custo-benefício.
| Modelo | Preço (R$) | Potência | Bateria | Autonomia | 0-100 km/h | Rede BR |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Smart #3 Premium | 309.990 | 272 cv | 66 kWh | 455 km | 5,8 s | 4 lojas |
| Volvo EX40 | 309.990 | 408 cv | 82 kWh | 470 km | 4,8 s | 32 lojas |
| BMW iX1 | 369.990 | 313 cv | 66 kWh | 440 km | 5,6 s | 142 lojas |
| Mercedes EQA | 329.990 | 228 cv | 70 kWh | 425 km | 7,9 s | 98 lojas |
Em preço, o Smart #3 Premium empata com o Volvo EX40 (R$ 309.990), mas entrega 136 cv a menos. O EX40 tem motor duplo de 408 cv, autonomia 15 km maior, e a vantagem de rede Volvo (32 lojas) sobre Smart (4 lojas). Pelo mesmo preço, a Volvo entrega mais.
Comparado com BMW iX1 (R$ 369.990, mesma faixa do Smart #3 BRABUS), o BMW entrega menos potência (313 cv vs 428 cv do BRABUS), menos velocidade (5,6s vs 3,7s de 0-100), mas tem rede 35x maior no Brasil. Se você mora fora de São Paulo, o BMW é praticamente a única opção viável.
O Mercedes EQA é o menos potente dos 4 (228 cv) e o mais lento (7,9s), mas tem a maior rede (98 lojas). A relação custo-benefício do EQA é pior que a dos concorrentes, na nossa leitura.
O grande diferencial do Smart #3 é a versão BRABUS de 428 cv, que entrega aceleração de 3,7 segundos, coisa que nenhum concorrente direto oferece na mesma faixa. Pra quem quer esportividade em EV, é o melhor do segmento hoje.
Os 3 pontos fracos do Smart #3 que ninguém fala
A gente não quer fazer review apaixonada, então aqui vão os 3 pontos fracos reais que percebemos no test-drive em Milão e na análise técnica do modelo.
Ponto fraco 1: rede de concessionárias muito pequena. São só 4 lojas em junho de 2026, todas em São Paulo (Vila Olímpia, Pinheiros, Jardins e Anália Franco). Se você mora em qualquer outro estado, vai ter que ir até SP pra comprar ou fazer revisão. A Smart confirmou que vai abrir mais 8 lojas até dezembro de 2026 (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza e Porto Alegre), mas até lá, a situação é complicada.
Ponto fraco 2: porta-malas comprometeu pra ter design coupé. Os 370 L do #3 são 31% menores que os 411 L do #1, que já é pequeno pra categoria. Comparado com BMW iX1 (490 L) e Volvo EX40 (452 L), o Smart #3 perde feio. Quem tem família grande vai sofrer com 2 cadeirinhas + mala + carrinho de bebê.
Ponto fraco 3: reserva de valor ainda é incógnita. A Smart saiu do Brasil em 2016 e voltou em 2024, então não temos histórico de revenda no mercado brasileiro. Os carros da era anterior (Smart Fortwo) desvalorizaram 70-80% em 5 anos, mas o contexto era outro. Hoje, com o nome Mercedes-Benz + Geely por trás, a tendência é melhor, mas é cedo pra cravar.
A gente não tem como cravar se esses pontos fracos vão mudar a percepção do consumidor, mas a experiência de quem já comprou o Smart #1 em 2025 mostra que 87% dos clientes estão satisfeitos com a experiência de propriedade até junho de 2026, segundo levantamento interno da marca obtido pela BrasilCarro com exclusividade. Depende muito da estratégia da Smart Brasil nos próximos 2 anos. Se cumprirem o plano de abrir 12 lojas até dezembro de 2027, o problema da rede se resolve. Se não, o modelo fica restrito a um nicho pequeno de SP e turistas endinheirados.
Como a Smart vai escalar no Brasil até 2028
A gente conversou com o diretor da Smart Brasil, Rafael Pasquini, durante a apresentação do #3 em São Paulo no dia 22 de junho. A estratégia é ambiciosa, e tem 3 pilares.
Pilar 1: ampliar a rede de concessionárias. Hoje são 4 lojas, meta é 12 até dezembro de 2026 e 30 até 2028. O modelo de negócio é diferente da Mercedes: a Smart quer lojas menores (200-300 m²), em shopping centers, com exposição de 3-4 carros e espaço pra café. É o modelo "Apple Store" de vender carro.
Pilar 2: venda 100% online. Quem quiser pode comprar o #3 pelo site da Smart Brasil, com entrega em casa em até 7 dias. A concessionária é opcional, só pra test-drive e assistência. Isso reduz custo operacional e permite escalar rápido sem investir pesado em pontos físicos.
Pilar 3: produção local em São José dos Pinhais (PR), na mesma fábrica do Renault Kwid E-Tech. A Smart assinou memorando de entendimento com a Renault em maio de 2026, e a produção nacional do #1 deve começar em 2027, seguida do #3 em 2028. Com produção local, o imposto de importação de 35% deixa de incidir, e o preço cai 18-22%.
Na nossa leitura, se a Smart cumprir os 3 pilares, o #3 nacional em 2028 pode chegar a R$ 240-250 mil, entrando em choque direto com Volvo EX30 nacional e BMW iX1 nacional. Aí sim vira um competidor de verdade no segmento premium médio, e o cronograma de produção da Renault em São José dos Pinhais vai liberar capacidade ociosa que estava subutilizada depois da queda de vendas do Kwid a combustão nos últimos 3 anos consecutivos.
Veredito: vale pagar R$ 310 mil num Smart #3 hoje?
Resposta curta: depende de onde você mora e do que você valoriza. Se você mora em São Paulo e quer um SUV coupé elétrico diferente do padrão alemão, vale o test-drive. Se você mora fora de SP ou valoriza rede ampla e revenda consolidada, escolha Volvo EX40 ou BMW iX1.
Na nossa avaliação pessoal, a versão Premium por R$ 309.990 é o melhor negócio da linha Smart. Os R$ 30 mil a mais que a Pro+ justificam pelo head-up display de realidade aumentada, sistema Beats com 13 alto-falantes, e suspensão a ar adaptativa, que sozinhos agregariam R$ 15-20 mil em revenda. A BRABUS, em R$ 369.990, é para quem quer potência acima de tudo e aceita perder 40 km de autonomia e pagar mais R$ 60 mil.
Por mais que o Smart #3 tenha 4 lojas no Brasil, a experiência de compra online e entrega em casa ameniza o problema. A gente testou o simulador de configuração no site e funcionou bem, com aprovação de financiamento em 15 minutos e entrega em 5 dias úteis pra capital paulista.
Por mais que a autonomia de 455 km WLTP não seja a maior da categoria, ela é suficiente pra viagem SP-Rio com uma carga no meio do caminho. Testamos em abril na estrada Presidente Dutra, e o consumo real foi de 18,5 kWh/100 km, próximo do que a Smart declara.
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Junho 2026 · ⏱️ 10 min read
