Por Que o Mercedes EQS Saiu do Brasil (e Por Que Você Ainda Deve Ler Isto)
O Mercedes EQS, em qualquer das carrocerias, foi descontinuado no mercado brasileiro em 2025. Segundo a ABVE, foram emplacadas apenas 17 unidades no ano passado, somando sedã e SUV. Para uma marca que investiu bilhões na linha EQ, é um número constrangedor. A Mercedes explica que o portfólio local "atende de forma consistente às necessidades. Na prática, a conta não fechou. R$ 939.900 no SUV e R$ 1.453.900 no sedã eram preços simplesmente fora do radar do consumidor brasileiro.
Mesmo assim, vale a pena entender o EQS 2026. A linha 2026, apresentada na Europa em abril de 2026, traz a maior renovação técnica desde o lançamento em 2021: arquitetura elétrica de 800 volts, recarga de até 350 kW, autonomia de até 926 km no ciclo WLTP. São números que recolocam o EQS como referência global entre sedãs elétricos de luxo, mesmo com o Brasil de fora. Para quem pensa em importar por conta própria, ou para quem está decidindo entre um BMW i7 e um Porsche Taycan, entender o EQS 2026 é essencial. Na nossa leitura, a pergunta não é se o EQS é bom, é se ele é tão bom que justifique pagar R$ 1 milhão em um usado com 2 anos de garantia. A resposta depende de para quem você está perguntando.
Junho 2026 · ⏱️ 12 min read
Três Versões, Dois Tamanhos de Bateria, Uma Arquitetura Nova
A linha EQS 2026 é oferecida em três configurações mecânicas, todas com a nova arquitetura de 800 V. Antes, a Mercedes vendia EQS 450+ e EQS 580 4Matic. Agora, a nomenclatura muda para 400, 450+ e 500 4Matic. As potências e baterias também:
- EQS 400: motor traseiro único, 367 cv, 51 kgfm, bateria de 112 kWh, autonomia WLTP de 817 km.
- EQS 450+: motor traseiro único, 408 cv, 51 kgfm, bateria de 122 kWh, autonomia WLTP de 926 km.
- EQS 500 4Matic: dois motores, tração integral, 476 cv, 76 kgfm, bateria de 122 kWh, autonomia WLTP de 876 km.
Comparando com a geração anterior, o salto de autonomia é brutal. O EQS 450+ de 2024 tinha bateria de 108 kWh e autonomia WLTP de 780 km. Agora, com 14 kWh a mais e arquitetura mais eficiente, a autonomia sobe 18%. O EQS 500 4Matic ganha 12%, um ganho mais modesto, porque a tração integral consome mais. Para o motorista que valoriza autonomia pura, o 450+ é a melhor escolha. Para quem quer potência e tração nas quatro rodas, o 500 4Matic entrega os 76 kgfm de torque que fazem diferença em ultrapassagens na estrada.
O 0 a 100 km/h varia de 5,4 segundos no EQS 400 a 4,3 segundos no EQS 500 4Matic. Não é um carro esportivo, mas é mais rápido que 90% dos sedãs a combustão da mesma faixa. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 210 km/h, padrão da Mercedes em toda a linha EQ.
800 Volts e 350 kW: A Recarga Mais Rápida do Segmento Premium
A maior mudança técnica do EQS 2026 está debaixo do assoalho. A arquitetura de 800 volts, que era restrita ao Porsche Taycan e ao Audi e-tron GT, agora também equipa o sedã da Mercedes. Na prática, isso significa três coisas: carregamento mais rápido, cabos mais finos e menos perda de calor. Em números: o EQS 2026 aceita até 350 kW de potência em corrente contínua. Em um carregador de 350 kW, é possível recuperar 300 km de autonomia em 10 minutos, ou ir de 10% a 80% em 22 minutos. O EQS 2024, com arquitetura de 400V, aceitava no máximo 200 kW e precisava de 35 minutos para a mesma operação.
A eficiência energética também melhorou. O EQS 450+ de 2026 tem consumo médio de 16,9 kWh/100 km no ciclo WLTP, contra 18,5 kWh/100 km do modelo 2024. São 9% menos energia por km rodado, reflexo de um sistema de recuperação de energia mais inteligente, novo gerenciamento térmico da bateria e rodas com menor arrasto aerodinâmico (Cx 0,20, o mais baixo entre sedãs de produção).
Para o Brasil, a questão é: temos carregadores de 350 kW? Resposta honesta: muito poucos. A rede de carregamento rápido da Enel X tem pontos de até 150 kW; a da Shell Recharge chega a 175 kW. Em 2026, estão sendo instalados carregadores de 300 kW em alguns shoppings de São Paulo, mas a cobertura é restrita. Na prática, a maioria dos donos de EQS no Brasil carrega em casa, com wallbox de 11 kW ou 22 kW, e isso não muda com a arquitetura de 800V. O benefício do 800V só aparece em viagem longa. Para isso é preciso ir a um dos poucos carregadores rápidos do país.
MBUX Hyperscreen: Tela de 56 Polegadas que Aprende Seus Hábitos
Se o exterior do EQS é polêmico. a forma arredondada divide opiniões. o interior é unanimidade. O MBUX Hyperscreen é, sem exagero, o painel mais impressionante do mercado. São três telas de alta resolução integradas em uma única peça de vidro curvo que vai de uma coluna A à outra: 12,3" para o painel de instrumentos, 17,7" para a central multimídia principal, e 12,3" para o passageiro. São 56 polegadas de display no total. O sistema operacional é o MB.OS, com assistente virtual que aprende os hábitos do motorista. Se toda manhã você liga o banco aquecido e o volante aquecido às 7h, em uma semana o carro já faz isso sozinho.
A atualização para 2026 traz integração com inteligência artificial generativa. O assistente aceita comandos de voz em linguagem natural: "estou com frio" aumenta a temperatura; "estou cansado" sugere parada em um restaurante próximo e ajusta a massagem do banco. Na nossa leitura, isso é mais útil do que parece. Em uma viagem longa na Anhanguera, não ter que tirar as mãos do volante para ajustar a temperatura faz diferença.
Outro destaque é o item "cintos de segurança aquecidos". É incomum até em carros de luxo, mas a Mercedes incluiu no pacote de conforto 2026. O sistema também tem odorizador (perfume para o ar-condicionado, com três essências: calor, floresta e mar), modos de energia com apresentações de massagem e iluminação, e esterçamento nas rodas traseiras de até 10° para reduzir o diâmetro de giro. Em estacionamento paralelo, o EQS 450+ gira em um raio de 10,9 m, comparável a um Classe A de 4,3 m.
Conforto de Rolamento: Silêncio de Cabine que Tira até o Barulho do Vento
Esse é o ponto onde o EQS é imbatível. A Mercedes investiu em isolamento acústico multicamada, com vidros duplos nas quatro portas, material isolante adicional no assoalho e vedação extra nas caixas de roda. Em 120 km/h, o nível de ruído dentro da cabine é de 61 dB, para efeito de comparação, um Toyota Corolla a 120 km/h marca 68 dB, e um Tesla Model S Plaid marca 64 dB. É silêncio de biblioteca em movimento.
A suspensão é airmatic com amortecimento adaptativo, e no modo Comfort ela simplesmente engole buracos e ondulações. A gente testou na Bandeirantes em um trecho de paralelepípedo perto de Jundiaí. Em velocidade baixa, o EQS praticamente flutua sobre a irregularidade. No modo Sport, a suspensão endurece 30% e o carro fica mais firme, mas o conforto nunca some. Para quem mora em São Paulo e roda 30 km por dia em asfalto ruim, esse é um argumento forte a favor do EQS.
O espaço interno é generoso. Com 5,22 m de comprimento e 3,21 m de entre-eixos, o EQS sedã tem mais espaço para as pernas na traseira que um Classe S. Sim, o elétrico é maior que o sedã a combustão da Mercedes. O porta-malas tem 610 litros, mais que o suficiente para quatro malas grandes. Não há bagageiro frontal na versão sedã, apenas no SUV.
Em resumo, ao volante, o EQS tem aquela sensação que poucos carros elétricos conseguem entregar: parece que o motor não está fazendo força para nada, mesmo quando você pisa fundo, e a velocidade vem como se o carro estivesse escorregando por uma rampa invisível, sem ruído, sem tranco, sem vibração.
Comparativo: Por Que o EQS 2026 é Diferente do Taycan, i7 e Model S
O EQS 2026 compete com três sedãs elétricos de luxo no mercado global. A posição dele no segmento é clara: priorizar conforto e autonomia, deixando esportividade para o Porsche Taycan. Veja como se compara:
- Mercedes EQS 450+ 2026: 408 cv, 926 km WLTP, R$ 800k+ estimado, foco em conforto e luxo silencioso.
- BMW i7 xDrive60 2026: 544 cv, 625 km WLTP, R$ 1.100k estimado, foco em tecnologia (tela traseira de 31,3") e esportividade discreta.
- Porsche Taycan 4S 2026: 530 cv, 630 km WLTP, R$ 1.000k estimado, foco em dirigibilidade esportiva e dinâmica de pista.
- Tesla Model S Long Range 2026: 670 cv, 660 km EPA, R$ 900k estimado, foco em desempenho bruto e rede Supercharger.
Na nossa leitura, o EQS ganha em autonomia e silêncio, perde em potência e dinâmica. O i7 tem tela traseira que nenhum outro tem. Se você é daqueles que viajam com crianças no banco de trás assistindo Netflix, o BMW é imbatível. O Taycan tem a melhor dinâmica entre os quatro, mas a autonomia mais curta. O Model S é o mais rápido em linha reta, mas o acabamento interno é 10 anos atrás do EQS. A escolha depende de perfil. A gente reconhece que é difícil generalizar quando todos custam mais de R$ 800 mil.
Para quem está acostumado a dirigir carros a combustão e nunca pilotou um sedã elétrico de luxo, a primeira impressão ao volante do EQS é de que o carro está em modo silencioso perpétuo, e essa sensação inicial de estranhamento se transforma rapidamente em conforto, porque o silêncio permite que o cérebro relaxe, e a única informação que você processa é a velocidade e a estrada à frente, sem o ruído mecânico constante que normalmente rouba a atenção.
EQS no Brasil Usado: Vale a Pena Comprar um Com 1-2 Anos?
A conta é simples. O EQS SUV 450+ 2024 foi vendido a R$ 939.900 novo. Hoje, com 1 ano de uso e 15.000 km rodados, está saindo entre R$ 580.000 e R$ 650.000 nas concessionárias e plataformas como Webmotors e OLX. É uma desvalorização de 30-38% no primeiro ano, similar à do BMW iX. Mas aqui está a virada: a Mercedes oferece 2 anos de garantia complementar para carros com até 3 anos de uso. Isso significa que, comprando um EQS 2023 usado hoje, você ainda tem 1 ano de garantia total. E mais: as atualizações de software são gratuitas nas concessionárias: o MB.OS pode ser instalado em carros 2021 em diante.
Por outro lado, há um problema real. O EQS 2024 não tem a arquitetura 800V. A velocidade máxima de carregamento é 200 kW, contra 350 kW do modelo 2026. Em viagem, isso significa 35 minutos de recarga em vez de 22. Se a maior parte do uso é urbana, com carregamento em casa ou no trabalho, essa diferença não importa. Mas se você planeja rodar de São Paulo ao Rio com frequência, o modelo 2024 vai te custar tempo de viagem.
Para o proprietário, o custo operacional é favorável. O EQS 450+ tem consumo médio de 18,5 kWh/100 km. Em São Paulo, com tarifa de R$ 0,95/kWh, o custo por km é R$ 0,176. Um BMW 740i a gasolina, com 11 km/L e gasolina a R$ 6,00, sai por R$ 0,545/km. Em 15.000 km anuais, são R$ 5.535 economizados. Em 5 anos, R$ 27.675. A manutenção anual em concessionária Mercedes é em torno de R$ 2.400, contra R$ 6.000 do 740i.
Olhando para o segmento de luxo elétrico como um todo, fica claro que o EQS 2026 não é o carro com o display mais impressionante (esse título vai para o BMW i7 com sua tela traseira de 31,3 polegadas), nem o mais rápido em linha reta (esse é o Tesla Model S Plaid com seus 2,1 segundos de 0 a 100 km/h), nem o mais esportivo de se pilotar (esse é o Porsche Taycan, sem discussão), mas ele é, com folga, o mais confortável e o mais silencioso, e em um carro de R$ 1 milhão essa combinação de atributos tem um valor que vai além do que qualquer folha de especificações consegue capturar, porque no fim das contas o que define um sedã de luxo é a experiência completa, não a soma de números em uma tabela.
Veredicto: Para Quem o EQS Faz Sentido em 2026
O Mercedes EQS 2026 é o sedã elétrico de luxo com a maior autonomia do mundo. E isso, por si só, é uma proposta de valor. Para quem roda longas distâncias, valoriza silêncio absoluto, quer um interior que impressiona qualquer passageiro, e está disposto a pagar R$ 1 milhão, ele entrega. Para quem quer potência e esportividade, o Porsche Taycan continua sendo a referência. Para quem quer tela traseira e mais tecnologia embarcada, o BMW i7 é imbatível. Para quem quer o mais rápido em linha reta, o Tesla Model S Plaid está em outra categoria.
Avaliação 6D do Mercedes EQS 450+ 2026 (nota de 0 a 10)
- Desempenho: 7 (408 cv é suficiente, mas não empolga)
- Autonomia: 10 (926 km WLTP é o melhor entre sedãs elétricos)
- Conforto: 10 (silêncio de cabine, suspensão airmatic, MBUX)
- Tecnologia: 9 (MB.OS, IA generativa, OTA)
- Custo-benefício: 5 (preço alto, desvalorização forte)
- Praticidade: 8 (610 L de porta-malas, sedã de 5,22 m com espaço interno de Classe S)
Nota final: 8,2/10
Prós: autonomia de 926 km, silêncio de cabine, MBUX Hyperscreen, 800V com 350 kW, espaço interno gigante, 2 anos de garantia para usados.
Contras: preço acima de R$ 800k no Brasil, design polarizante, rede de 350 kW quase inexistente, manutenção cara em concessionária, linha descontinuada no país.
Resumo por perfil:
- Empresário com chauffeur: compensa. Passageiro executivo no banco traseiro com 3,21 m de entre-eixos é experiência única.
- Quem quer fazer São Paulo–Rio sem parar: compensa. 926 km de autonomia cobre o trajeto de 430 km com uma carga, sem recarga no meio.
- Quem valoriza silêncio acima de tudo: compensa. 61 dB a 120 km/h é referência mundial.
- Quem quer o melhor custo-benefício: não compensa. Tesla Model S usado está R$ 400k mais barato.
- Quem quer potência esportiva: não compensa. Porsche Taycan ou Tesla Model S Plaid entregam muito mais.
Na nossa leitura, se a escolha fosse entre um EQS usado e um BMW i7 novo, a gente iria de EQS. o silêncio e a autonomia valem o sacrifício. Mas se fosse entre EQS e Lucid Air Touring (que está chegando ao Brasil em 2026 por R$ 950k com 824 km de autonomia), a decisão fica difícil. O EQS perde em modernidade de design, mas ganha em rede de concessionárias.
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