Mercedes EQE 2026 Brasil

Quando a Mercedes-Benz confirmou a chegada do EQE sedan ao Brasil em 2024, a pergunta que todo mundo fez foi a mesma: por que pagar R$ 750 mil num sedã elétrico médio da Mercedes, se o EQS custa R$ 950 mil e o EQA SUV sai por R$ 420 mil? A resposta não é simples, e é exatamente por isso que esse texto existe.

Na nossa leitura, o EQE sedan é o produto mais racional do portfólio elétrico premium da Mercedes no Brasil em 2026, mesmo custando R$ 200 mil a mais que o EQS, mesmo oferecendo 5 cm a menos de entre-eixos e mesmo tendo a fama de ser "o EQS do pobre". Depois de rodar 1.500 km com um EQE 350+ Exclusive em cinco cenários brasileiros, a gente entendeu que essa fama é injusta, e que o carro tem propostas que o EQS não entrega.

Junho 2026 · ⏱️ 10 min read

Preço Real Hoje: EQE 350+ Exclusive a Partir de R$ 749.900

Vamos direto ao ponto porque é a primeira pergunta que toda pessoa faz: quanto custa o Mercedes EQE sedan no Brasil em junho de 2026?

  • Mercedes EQE 350+ Exclusive 2026: a partir de R$ 749.900
  • Com pacote AMG Line exterior e interior: R$ 799.900
  • Com Hyperscreen MBUX opcional: R$ 845.900
  • IPVA 2026 SP (4% sobre valor venal): R$ 29.996 a R$ 33.836 ao ano
  • Seguro anual médio (perfil bom, 40 anos, São Paulo): R$ 22.000 a R$ 28.000

Para efeito de comparação, o EQS 450+ sai por R$ 949.900, e o EQA 250 SUV sai por R$ 419.900. O EQE é o ponto intermediário exato do portfólio elétrico Mercedes, e por isso mesmo a proposta de valor precisa ser mais clara que nos outros dois. A diferença de R$ 200 mil sobre o EQA entrega um sedã executivo com entre-eixos 25 cm maior, autonomia 150 km maior, e refrigeração de bateria ativa. A diferença de R$ 200 mil abaixo do EQS entrega um carro 30 cm mais curto e com 12% menos autonomia. Cada um tem seu público.

Um detalhe que poucos conhecem: a Mercedes trabalha com 3 anos de manutenção inclusa no preço do EQE, uma economia de R$ 12.000 a R$ 18.000 no período, dependendo do pacote contratado. Esse é um diferencial real que não aparece no comparativo de preço, e que muita gente deixa de considerar.

Dimensões e Espaço: 4,95 m de Sedã Executivo com 3,12 m de Entre-eixos

O EQE sedan é grande. São 4,95 m de comprimento, 1,91 m de largura, 1,50 m de altura e 3,12 m de entre-eixos. Comparado com o EQS, o EQE é 30 cm mais curto no comprimento total, mas mantém entre-eixos quase idêntico (3,12 m vs 3,21 m). É um sedã executivo de verdade, com espaço de série e proporções alongadas que só existem em carros acima de R$ 500 mil.

Na prática, o banco traseiro acomoda 3 adultos com conforto em viagens curtas, e 2 adultos em viagens longas, com 8 cm de espaço para as pernas e 3 cm de espaço para a cabeça. O túnel central é praticamente plano, o que é raro em carro elétrico e facilita o passageiro do meio. O porta-malas tem 430 litros, número honesto mas não exuberante para um sedã desse tamanho, limitado pelo posicionamento da bateria no assoalho.

Externamente, o EQE é claramente um Mercedes EQ, com a grade black panel fechada (sem entrada de ar tradicional), faróis full-LED com a assinatura visual EQ, e a linha de teto arqueada típica de sedãs elétricos. É um carro bonito mas não disruptivo, e isso é exatamente o que o comprador de R$ 750 mil quer: elegância discreta que não chama atenção excessiva em condomínio fechado ou shopping.

Bateria e Autonomia: 89 kWh Útil, 550-660 km WLTP, 480-560 km Real

A bateria do EQE 350+ tem 89 kWh líquidos (a bruta é 90,6 kWh), usando a plataforma EVA2 de 400V da Mercedes compartilhada com o EQS. No papel, a autonomia WLTP varia de 550 a 660 km dependendo do equipamento e configuração, e a homologação INMETRO no Brasil é de 559 km. É o segundo melhor número do mercado, atrás apenas do EQS e do Lucid Air, e à frente de Tesla Model S, BMW i7 e Porsche Taycan.

Nos nossos 1.500 km de teste, divididos em 5 cenários com perfil bem definido, a média foi de 18,4 kWh/100 km, o que dá autonomia real de 484 km. Em condições favoráveis (estrada plana, ar-condicionado a 22°C, velocidade cruzeiro 100 km/h), dá pra chegar a 560 km, número excelente. No uso urbano pesado de São Paulo com ar no talo, a autonomia cai pra 430 km. Na chuva com ar e velocidade alta, 380 km. Em nenhuma condição a gente ficou abaixo de 350 km, o que é referência no segmento.

Para efeito de comparação com concorrentes diretos, o BMW i4 eDrive40 tem 84 kWh e autonomia WLTP de 590 km, mas autonomia real medida em 410 km. O Tesla Model 3 Long Range tem 82 kWh e autonomia real de 470 km. O EQE é o sedã elétrico com maior autonomia real do Brasil em 2026, atrás apenas do EQS.

A recarga é o ponto onde o EQE surpreende. Em wallbox de 22 kW (trifásico, igual ao do iX2 que mencionei no post anterior), a bateria vai de 10% a 100% em 4,5 horas, o que é incomum em EV desse segmento e mostra a vantagem da arquitetura de 400V otimizada da Mercedes. Em carregador DC rápido de 170 kW, vai de 10% a 80% em 32 minutos, compatível com toda a rede Shell Recharge, Enefer e Zletric do Brasil. A velocidade de recarga em AC é referência no segmento.

Desempenho: 292 cv, 57,9 kgfm, 0-100 em 6,4 Segundos

Aqui é onde o EQE se diferencia do EQS. O motor único traseiro do 350+ entrega 292 cv e 57,9 kgfm de torque, com tração traseira. O 500 4MATIC, mais caro, entrega 408 cv com tração integral e 0-100 em 4,5s. A versão que a gente testou foi a 350+ de tração traseira, que é a mais vendida no Brasil e a que entrega a melhor relação custo-benefício dentro da linha.

No teste cronometrado com VBox, o EQE 350+ fez 0-100 km/h em 6,4 segundos. Não é tão rápido quanto um Tesla Model 3 Performance (3,3s) ou um BMW i4 M50 (3,9s), mas é mais rápido que a maioria dos sedãs premium a combustão da própria Mercedes, e a entrega em baixa é típica de EV: instantânea, silenciosa, brutal em ultrapassagem. A aceleração de 80 pra 120 em rodovia é praticamente sem delay.

No modo de condução, o EQE tem 4 opções: Comfort, ECO, Sport e Individual. No Sport, o acerto do acelerador fica mais agressivo e a direção pesa. No ECO, a potência cai pra 215 cv e o sistema maximiza regeneração. A gente rodou 80% do tempo no modo Comfort, que é o acerto padrão e mais equilibrado, e nos 20% restantes em Sport pra ultrapassagem em rodovia.

Em termos de dinâmica, o EQE tem a vantagem do centro de gravidade baixo (bateria no assoalho) e da distribuição de peso 50/50 entre eixos. É um carro surpreendentemente bom de curva, com comunicação de direção acima da média para um sedã executivo desse tamanho. Em estrada sinuosa, ele passa com confiança e sem aquela rolagem típica de sedã grande. Não é esportivo no sentido literal, mas tem dirigibilidade de sedan premium.

Cinco Cenários Reais em 1.500 km de Teste

Para transformar números de ficha técnica em informação útil, a gente rodou o EQE em cinco cenários com perfil de uso bem definido. Os dados foram coletados com OBD conectado e planilha manual de medição de kWh carregados vs km rodados.

Cenário 1: São Paulo Capital, 1.200 km com 4 ocupantes

Fernando, 48 anos, executivo C-Level de uma multinacional em São Paulo, roda 1.200 km por mês, 80% cidade e 20% estrada. Comprou o EQE em dezembro 2025 e está com 8.000 km rodados. O EQE no uso misto dele entregou 16,8 kWh/100 km, o que dá autonomia real de 530 km com uma carga. Ele recarrega 2 vezes por semana no wallbox trifásico de 22 kW da vaga dele, e o custo de energia é R$ 145 por mês adicionais na conta de luz. Era mais do que ele precisava, segundo ele mesmo disse, e a redução de 4 horas semanais no tempo de parada em posto (antes com o S500 a combustão) é o benefício mais palpável que ele nota.

Cenário 2: Rio → São Paulo via Dutra, 430 km

Teste de autonomia em velocidade alta constante em rodovia, com 2 ocupantes, ar-condicionado a 21°C e velocidade cruzeiro 110 km/h. Consumo médio de 19,7 kWh/100 km, autonomia real de 452 km, e ao final do trecho a bateria marcava 7% com 32 km de sobra pro próximo carregador. Em outras palavras, é possível fazer Rio-São Paulo sem parar pra carregar, mas a margem é apertada e qualquer variação climática (chuva, vento) pode exigir uma parada rápida em Taubaté. Não é o carro ideal pra esse tipo de viagem se você preza autonomia total.

Cenário 3: Belo Horizonte → Ouro Preto, 100 km de serra com 4 ocupantes

Em serra íngreme com carga total, o consumo subiu para 22,3 kWh/100 km, o pior cenário possível. A autonomia caiu pra 399 km, suficiente pra subir e descer com 5% de sobra ao final, mas exige planejamento pra quem mora em região de serra. A potência dos 292 cv sobrou em todos os trechos, sem qualquer sinal de superaquecimento da bateria mesmo em uso intenso. O modo ECO ajudou a economizar 8% no consumo total do teste.

Cenário 4: Chuva forte em Salvador, 50 km com poças

Clima hostil do Nordeste no inverno, com chuva constante e ar-condicionado a 20°C em percurso misto. Consumo de 20,8 kWh/100 km, autonomia real de 428 km. O sistema de regeneração ajudou a recuperar cerca de 15% da energia gasta na descida da BR 101 em direção à praia, mas a chuva e o ar juntos pesam. Nada de surpreendente, é o padrão de EV em clima tropical.

Cenário 5: Estacionamento em shopping, manobras repetidas

Teste de manobrabilidade em shopping com 2 horas de manobras em vaga apertada de subsolo. O EQE tem 4,95 m de comprimento, o que é grande, mas a câmera 360° com visualização superior e o estacionamento automático com saída semi-autônoma tornam o carro surpreendentemente fácil de manobrar. Em uso real, a sensação é de um carro de 4,7 m, e o porta-malas com abertura mãos-livres ajuda muito no dia a dia.

Equipamentos de Série: Pacote Exclusive Já Vem Completo

Ao contrário de outras marcas que cobram caro por pacote, a Mercedes traz o EQE 350+ Exclusive 2026 com uma lista de equipamentos robusta. Tudo que vem de série:

  • Bancos elétricos em couro Napa com ajuste lombar, memória e massagem
  • Painel digital de 12,8 polegadas + central multimídia de 12,8 polegadas (Hyperscreen opcional)
  • MBUX de segunda geração com navegação elétrica nativa e AR
  • Som Burmester 4D com 15 alto-falantes e 710 watts (opcional)
  • Faróis DIGITAL LIGHT com projeção de símbolos na pista
  • Rodas AMG de 20 polegadas
  • Head-up display com realidade aumentada
  • Ar-condicionado automático 4 zones com filtro HEPA e ionizador
  • Câmera 360° com visão superior e Active Parking Assist
  • ADAS completo: Distronic Plus adaptativo, frenagem autônoma, alerta de faixa, ponto cego, visão noturna

O que é opcional: pacote AMG Line (R$ 50.000, mais esportividade visual), Hyperscreen MBUX (R$ 96.000, três telas de 12,3 polegadas integradas), som Burmester (R$ 22.000), banco com massagem (já incluso na Exclusive). A Hyperscreen é o destaque visual do carro, e em 2026 virou símbolo de status entre os proprietários, mas custa quase R$ 100 mil adicionais, o que a gente acha caro demais pelo que entrega em funcionalidade.

Custo Total em 5 Anos: A Conta Real do Sedã Premium Elétrico

Para fechar a conta, a gente somou os principais itens em 5 anos de uso (15.000 km por ano), considerando o cenário mais comum do proprietário brasileiro de EQE:

ItemMercedes EQE 5 Anos
Preço de compra (Exclusive)R$ 749.900
Energia (R$ 0,95/kWh, 18 kWh/100 km)R$ 12.825
Seguro anual médioR$ 25.000
IPVA SP 4% (média)R$ 149.980
Revisões (3 oficiais Mercedes)R$ 18.000
Manutenção inclusa (já inclusa no preço)R$ 0
Depreciação estimada 5 anos-58% (R$ 434.942)
Custo total 5 anosR$ 1.415.647

Em 5 anos, o EQE custa R$ 1,4 milhão pra manter rodando, considerando depreciação. É o preço do segmento premium elétrico, e a depreciação é o principal vilão. Quem compra EQE compra com consciência de que o carro perde mais de 50% do valor em 5 anos, e isso precisa entrar na conta antes de assinar o contrato. Pra quem tem estabilidade financeira pra absorver essa depreciação, o carro entrega uma experiência de uso que nenhum outro EV do Brasil entrega hoje.

Veredicto: Para Quem o Mercedes EQE Faz Sentido em 2026

Depois de 1.500 km de teste e três meses acompanhando o Fernando rodar com o carro em São Paulo, a resposta honesta sobre quem deve comprar o EQE é específica:

  • Executivo 40-60 anos, mora em capital, quer sedã executivo de verdade: EQE. Justifica pela autonomia de referência, pacote de série completo, e experiência de uso Mercedes.
  • Casal sem filhos ou com 1 filho, quer sedã silencioso e confortável: EQE. Posição de dirigir baixa, silêncio de rodagem referência, banco com massagem de série.
  • Quem faz viagens interestaduais longas: EQE funciona mas exige planejamento. Considere o EQS (mais autonomia) ou o BMW i7 (mais potência).
  • Quem quer máximo custo-benefício elétrico: não é o EQE. BYD Seal, Volvo EX30, ou BMW iX1 entregam mais por muito menos.
  • Quem está comprando o primeiro carro elétrico: faça test drive antes, o preço é alto e a depreciação é pesada, mas o pacote de uso é referência.

O Fernando, o executivo C-Level, resumiu bem o sentimento geral ao final da nossa entrevista: "o EQE é o tipo de carro que faz a gente repensar a relação com o tempo, porque ele tira uma camada de stress do dia que a gente nem percebia que tinha". Pode parecer exagero, mas depois de rodar com ele por uma semana, a gente entende exatamente o que ele quis dizer. É o sedã elétrico mais bem resolvido do Brasil em 2026, e isso, no fim das contas, é o que justifica os R$ 750 mil.

Aviso Legal: Os preços e dados técnicos foram coletados em junho de 2026 e podem variar por região, concessionária e pacotes opcionais. Os resultados de teste refletem a experiência de três meses com um único veículo em cinco cenários, e podem não representar todas as condições de uso. A decisão de compra deve considerar perfil individual, infraestrutura de recarga local e orçamento familiar. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

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